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20 março 2011

Do mundo de Erico Verissimo

Na falta do que postar aqui, e para não deixar o blog passar duas semanas sem atualizações, copio na íntegra um depoimento que prestei a uma amiga minha, no período em que ela estava fazendo um trabalho de mestrado sobre escolas públicas e Erico Verissimo.

Convidado a falar (ou melhor, escrever) tudo o que viesse à cabeça sobre o meu "primeiro contato" com esse escritor gaúcho, eu pus no papel as primeiras impressões que tive quando me deparei com seus livros, bem como o contexto no qual eu estava inserido quando li boa parte de sua obra.


O escritor em momentos de criação, em seu escritório. Foto: Leonid Streliaev


Para quem interessar, aí vai:

"Conheci Erico Verissimo numa época árida da minha vida afetiva e, talvez por isso mesmo, eu o tenho agora como escritor favorito de todos os tempos – aquele que me acompanhou na hora em que mais precisei de companhia. Lembro como se fosse ontem: eu passeava pelos corredores da minha livraria predileta quando entrevi, solto em uma prateleira de literatura nacional, o clássico Olhai os lírios do campo, na edição que a Companhia das Letras lançou em homenagem ao centenário do autor.

Nesse tempo, eu andava profundamente desolado pelo término de um namoro. Mergulhar na literatura foi o ópio e o remédio que eu encontrei não somente para afogar as mágoas de uma relação não-resolvida, mas para também viajar sem sair de cima da minha cama ou, por extensão, da minha poltrona, coisa que sempre gostei de fazer. Em tese, eu era capaz de ler qualquer coisa em qualquer estado de espírito, e se o estado de espírito fosse pior, tanto melhor era. Para grandes enfermidades, somente grandes soluções – os livros.

Quando adentrei no mundo de Eugênio, Eunice e Olívia – protagonistas da obra-prima de Erico – fiquei perplexo diante da veracidade do que estava escrito ali. Lembro bem disto: fiquei abismado, porque nunca havia visto um livro com tantas verdades escritas no mesmo lugar. Foi uma pura e total identificação de pensamentos, meus e os do Erico. Quanto mais lia Olhai os lírios do campo, mais forte ia ficando a sensação de que era o livro que me lia, e não o contrário.

O escritor em momento de descanso em seu escritório. Foto: Leonid Streliaev

Percebi como eram pequenos os meus problemas diante do mundo, e também que esses problemas faziam parte do mundo, do mundo gigantesco e complexo das incompreensões humanas. O problema não-resolvido que eu tinha com a minha ex-namorada era somente uma parcela diminuta desse mundo, uma parte que, aos poucos, começou a diminuir até ficar esquecida. Todos os dilemas de Eugênio, todas as reflexões humanísticas de Olívia, tudo, tudo era assimilado por mim como se fizesse parte natural do mundo; como se as frases do livro fossem axiomas, e não apenas frases.

Li os romances de Erico Verissimo em rápida sucessão, e, quanto mais lia os livros desse escritor gaúcho, mais gostava dele – não só como excelente autor de novelas, mas também como a pessoa modesta e exemplar que ele era. Então fiquei totalmente fascinado pelas suas obras. Nunca vi noutro lugar uma gama de sensações humanas tão bem retratada como em Um lugar ao sol, por exemplo. Li o Ciclo dos Romances Urbanos fora de ordem e de maneira esparsa, mas, ainda assim, eu acho que essa foi a mais bela trilogia urbana escrita na literatura mundial. Engraçado: sempre que falo de Erico, o faço em escala mundial, porque para mim ele é medido em termos globais, e não meramente nacionais, tampouco regionais, como ele gostava de fazer referência a si próprio: “Sou o melhor escritor da minha rua”, dizia, sem falsa modéstia.

Curioso: lembro também que, depois de terminar a leitura de todos os seus livros – ou, pelo menos, da grande maioria deles – eu fiquei com raiva do escritor. Fiquei aborrecido porque julgava, então, que eu jamais encontraria outro autor de cujos livros gostasse tanto.

Erico pousando para as lentes de Leonid Streliaev

Em suma, foi devorando os romances desse grandessíssimo escritor que conheci uma outra faceta da vida – a face maior, pode-se dizer, a mais pungente – que é o lado pitoresco e ao mesmo tempo ofensivo do cotidiano. A realidade nua e crua (se bem que Erico tem a habilidade de diluir tudo numa linguagem floreada) saiu das páginas dos seus livros e como que caiu aos meus pés. A hipocrisia veio à tona. A falha no plano das relações humanas. O abismo social. O ritmo frenético de atividades do dia-a-dia que suplanta o amor entre os seres…

De tudo isso eu já tinha conhecimento, naturalmente, mas foi somente ao vê-lo refletido nas obras do autor que eu pude enfim perceber o poder da literatura – e, em particular, o poder da literatura nacional."

13 março 2011

O amante de lady Chatterley, de D. H. Lawrence

"Mas toda partida significa um encontro em algum outro lugar. E cada novo encontro é uma nova ligação." (p. 376)

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Como eu não tenho o costume de viajar durante os longos feriados nacionais (estradas abarrotadas, multidão em todos os lugares), resolvi trazer um livro para casa para passar esses cinco dias.

E o livro que comprei não foi outro que não O amante de lady Chatterley (Lady Chatterley's lover, 1928), escrito pelo polêmico inglês D. H. Lawrence.

Muitos romances atuais que hoje se julgam "obscenos" não chegam nem aos pés deste, publicado há 83 anos.


Sinopse: Poucos meses depois de seu casamento, Constance Chatterley, uma garota criada numa família burguesa e liberal, vê seu marido partir rumo à guerra. O homem que ela recebe de volta está paralisado da cintura para baixo, e eles se recolhem na vasta propriedade rural dos Chatterley.

Inteiramente devotado à sua carreira literária e depois aos negócios da família, Clifford vai aos poucos se distanciando da mulher. Isolada, Constance encontra companhia no guarda-caça Oliver Mellors, um ex-soldado que resolveu viver no isolamento após sucessivos fracassos amorosos.


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Quando o livro foi lançado, em 1928, pouquíssima gente deve ter tido a oportunidade de lê-lo imediatamente. Porque não passou muito tempo e D. H. Lawrence foi processado por "falta de pudor", e o livro, retirado sumariamente das estantes das livrarias.

O amante de lady Chatterley só voltou a ver o mundo novamente quando a editora Penguin contratou um bom time de advogados e enfrentou o processo que era responsável por manter o romance banido. Em 1960, 32 anos depois, o livro voltou a ser publicado de maneira oficial. Até então, circulavam muitas e mutiladas versões incompletas da história, chamadas de "edições piratas", para a amarga decepção do autor.

Considero que seja importante entender a história por trás desse livro. Porque Lawrence realmente escreveu uma coisa que deixa o queixo de muitas pessoas caído, até hoje. Por exemplo, ler as palavras "foder", "trepar", "boceta" ou "pau" em um romance da década de 20 ainda impressiona muita gente.

De qualquer forma, obsceno ou não, muito ou pouco pervertido, O amante de lady Chatterley é um romance extremamente bem escrito, cuja linguagem pertence ao tipo daquelas que fluem sem obstáculos, mesmo nas passagens mais densas. Costumo dizer que é muito pouco comum encontrar um autor que saiba ser cristalino sem perder a profundidade, como Lawrence ou Dostoiévski.

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E a história que Lawrence escreveu possui uma trama interessante. Pelo menos foi o que eu achei – algumas pessoas a consideram monótona. De fato, o cenário como um todo não muda muito – varia entre a casa de Wragby e o bosque de Mellors, e depois Veneza – e os personagens são reduzidos. Mesmo assim, a tensão existente entre Clifford e Connie, e todo aquele dilema que a moça enfrenta entre a liberdade e a rotina conservadora, são suficientes para fazer do livro um troço muito instigante e reflexivo.

E o que torna a coisa mais bárbara ainda é o fato de que todos os personagens têm razão e estão equivocados, ao mesmo tempo. De modo que é difícil tomar o partido de alguém. Se por um lado Connie tinha razão em procurar a felicidade em outro homem, ela estava também errada por abandonar o marido paralítico. E o marido estava errado por considerar a classe proprietária a senhora de tudo, assim como tinha razão em manter a estabilidade matrimonial e fornecer emprego aos mineiros. Mellors, o amante, foi insensível ao trair o próprio patrão, embora tivesse suas boas razões para tanto.

E é assim que o romance de Lawrence passeia pelas baixezas humanas, revelando todas as fraquezas das pessoas e as suas razões, nem sempre politicamente corretas. Considerei o livro muito bom, de um modo geral. Sem dúvida, um romance sobre infidelidade que deve figurar entre os clássicos absolutos da História da literatura.

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Apesar de toda a sordidez presente nas páginas do livro, o final foi muito equilibrado. Mas não vou me deter muito no final da história por motivos óbvios.

Para quem gosta de personagens bem construídos e tramas instigantes, O amante de lady Chatterley é um prato farto.

01 março 2011

A cura de Schopenhauer, de Irvin D. Yalom

"A maior sabedoria é ter o presente como objeto maior da vida, pois ele é a única realidade, tudo o mais é imaginação." (p. 76)

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Foi depois do sucesso de Quando Nietzsche chorou que eu comecei a ver os outros livros do autor Irvin D. Yalom serem lançados por aqui pelo Brasil.

Na semana passada, contrariando meu hábito de não ler nenhum tipo de literatura no período de aulas, eu comecei o romance A cura de Schopenhauer (The Schopenhauer cure, 2005), e o terminei ontem.

A leitura foi feita em conjunto com minha queridíssima amiga Gleici Ketlem, leitora de livros tão voraz quanto eu. Te adoro, Gle! :)


Sinopse: Ao descobrir-se portador de um câncer fatal, Julius Hertzfeld faz uma avaliação de sua longa carreira como psicoterapeuta e decide procurar seu maior fracasso – um antigo paciente chamado Philip Slate, viciado em sexo que curou a si mesmo seguindo as doutrinas de Schopenhauer – e o convida a participar de sua terapia em grupo.

A presença de uma ex-conquista de Philip, que o odeia pela frieza com que a descartou, obriga-o a encarar o passado e desencadeia conflitos entre os pacientes e acirradas discussões filosóficas com Julius.


De Irvin D. Yalom eu só havia lido Quando Nietzsche chorou, que recebi de presente do meu amigo padre Alfred – alemão que estuda comigo na universidade. A história é um misto de ficção e fato, em que o analista Joseph Breuer (mentor e amigo de Sigmund Freud) trata um paciente mais que extraordinário: ninguém menos que o filósofo Friedrich Nietzsche, portador de uma angst terrível. Enquanto o maduro Breuer analisa Nietzsche sessão após sessão, vemos um Freud jovem e cheio de expectativas ter os seus primeiros insights sobre a teoria do inconsciente.

Em A cura de Schopenhauer, temos um enredo bem menos ambicioso. Não é um épico, e as personagens não são figuras importantíssimas das ciências humanas, como ocorre no Quando Nietzsche chorou. Estamos diante de um enredo mais linear que o do best-seller do autor, mais enxuto, talvez, mais descomplicado. Mesmo assim, mesmo com essa simplicidade aparente, digo que gostei mais deste, A cura de Schopenhauer.

O livro é ótimo. Mas sou de certa forma suspeito para falar isso, porque, na condição de estudante de Psicologia, me interesso por temas que nem sempre interessam a terceiros. Isso não significa, óbvio, que quem não é do ramo da Psicologia não vai gostar do livro que acabei de ler ontem. No entanto, é aconselhável que o leitor tenha pelo menos um mínimo de interesse por psicoterapias, psicologia, filosofia e coisas afins.


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Capa de Quando Nietzsche chorou e foto de Arthur Schopenhauer


Um dos maiores atrativos do livro são os capítulos em que Yalom conta a vida de Schopenhauer, de maneira resumida e voltada para curiosidades sobre esse excêntrico filósofo alemão. Esses capítulos são como que inseridos à parte na história, geralmente alternando com os capítulos em que se narra o enredo propriamente dito. A biografia de Schopenhauer é destilada com leveza e graça, e isso é um ótimo ponto de apoio para quem está lendo o livro, além de ser fonte cheia para quem está atrás de saber algo sobre a vida desse homem.

De um modo geral, A cura de Schopenhauer é um livro que só se passa em um único cenário, salvo na ocasião em que se narra a viagem de Pam à Índia. Fora isso, todo o drama dos personagens tem lugar na sala da terapia de grupo, o que, para uns, pode ser extremamente monótono e desinteressante. Realmente, acho que Yalom poderia ter expandido mais o palco e ter mostrado a vida dos personagens mais para além do grupo terapêutico. Erro dele? Não necessariamente. Apenas uma preferência em dar ênfase à psicoterapia.

Cada capítulo é iniciado com um trecho da obra de Schopenhauer, todos muito bonitos e reflexivos. Um que achei bastante especial foi o seguinte:

A vida pode ser comparada a um bordado que, no começo, vemos pelo lado direito e, no final, pelo avesso. O avesso não é tão bonito, mas é mais esclarecedor, pois deixa ver como são dados os pontos. p. 238

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Em suma, adorei A cura de Schopenhauer, livro que achei mais interessante do que Quando Nietzsche chorou, best-seller de Irvin D. Yalom. Agora fiquei com mais vontade de ler os escritos de Schopenhauer; eu já tinha lido A arte de escrever, que achei belíssimo. Talvez eu vá atrás de O mundo como vontade e representação.


Conclusão: interessantíssimo para quem quer ler algo sobre psicoterapia ou filosofia. Nesse aspecto, recomendadíssimo.

20 fevereiro 2011

Nintendo, PS3 e Uncharted

"A tecnologia só é tecnologia para quem nasceu antes de ela ter sido inventada." (Alan Kay)

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Quando meu irmão anunciou, no final do ano passado, que iria comprar um console Playstation 3 para nos divertirmos e esquecermos o mundo real, a primeira coisa na qual pensei foi: Quais serão os jogos?

Sempre adorei video-games. Minha época de jogador de Super Nintendo foi áurea, extremamente proveitosa; eu curtia os mais variados jogos que aquele console simpático da Nintendo poderia oferecer, e joguei muitos deles, desde o insubstituível Mario Bros até o sanguinolento Mortal Kombat Ultimate, passando pelos games baseados em quadrinhos e filmes, etc.

Um jogo do Super Nintendo que eu adorava (e que nunca tive, até baixar um milagroso emulador do console) era o clássico Donkey Kong Country. Gostava dos gráficos, que naquela época eram o máximo, e gostava também da idéia do game, que ia conduzindo o jogador através de uma série de desafios que aumentavam sistematicamente o nível de dificuldade com o passar das fases.

Super Nitendo


Donkey Kong

O Super Nintendo foi (acreditem) o último video-game que tive e que pude chamar de meu. Quando o fabuloso Nintendo 64 foi lançado e o queixo de todas as crianças daquela geração caíram nos seus pés, minha prima não perdeu tempo e comprou (ou melhor, o pai dela comprou para ela) aquele indescritível console que reproduzia jogos em três dimensões. Eu, claro, ia para a casa dela e monopolizava providencialmente o joystick. Um dos jogos de que mais gostava era 007 – GoldenEye; e quando eu percebi que atirava nos pés dos inimigos e eles reagiam pulando e segurando as próprias botas, achei que a humanidade havia alcançado o ápice no que se referia aos video-games.

Um outro jogo que me fazia ficar sentado a tarde toda na frente da TV da minha prima era Mario Party. Até hoje, com o emulador do N64 aqui no PC, Mario Party está entre os remanescentes daquela época com os quais me divirto até os dias atuais. Gostaria de ter um Nintendo Wii e ver o que fizeram com essa famosa franquia dos jogos do Mario, que já está na oitava edição.

O nome da Nintendo deixou de ser sinônimo de video-game quando descobri que havia um sinistro console fabricado pela Sony. A única coisa produzida pela Sony que eu conseguia imaginar era rádio de pilha e disckman. Achei que estavam tirando sarro da minha cara quando disseram que os jogos do Playstation eram rodados através de CD's. Numa época em que até mesmo os aparelhos de DVD eram raros, ter um console que rodava jogos por CD era uma coisa que sequer passava pela minha rica imaginação.

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James Bond – GoldenEye (N64)


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Mario Party 2 (N64)


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Playstation (vamos ser sinceros… qual é o mais simpático, este ou o quadradão SNES?)


O tempo passou, o Playstation foi evoluindo, chegou a sua terceira edição (que meu irmão comprou no final do ano passado) e agora eu ando fascinado com um jogo que atende pelo nome de Uncharted. Extremamente desligado do mundo circundante, passo o dia inteiro conduzindo o personagem Nathan Drake pelos confins do mundo, superando perigos dignos de Indiana Jones que, quando criança, eu pensava que só saíam da cabeça de Steven Spielberg.

Os jogos da série Uncharted são muitíssimos parecidos com os de Lara Croft, sendo que o game produzido pela Naughty Dog tem um personagem masculino como herói. E como é cativante a personalidade de Nathan Drake! Nada de aventureiros durões, absolutamente inteligentes e sérios; Drake é cômico como ninguém, visual descolado, solta piadas irônicas o tempo todo sobre a cilada em que se meteu, além de ser ousado e "seja o que Deus quiser". Um cara muito simpático que, se fosse real, eu gostaria de conhecer pessoalmente.

Ando jogando Uncharted 2 e estou impressionado com a qualidade do game, em vários aspectos. Em primeiro lugar, a jogabilidade é leve e fácil; ou seja, não chega a ser nenhum bicho-de-sete-cabeças. Facilidade que eu já havia percebido na primeira edição do jogo. Em segundo lugar, os encarregados do cenário capricharam dessa vez: quando Drake está no Nepal em meio a uma explosiva guerra civil, o que não falta é destruição por todos os lados, caixas jogadas nas ruas, carros capotados, prédios tombados, fumaça, entulho etc. E tudo isso com uma riqueza de detalhes que me deixou verdadeiramente impressionado.

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Outra coisa: as seqüências de ação do jogo são impagáveis. Para citar apenas duas, fico com aquela em que Drake e Elena estão dentro de um prédio, no Nepal, e são atacados por um helicóptero das forças inimigas; o edifício vai tombando aos poucos e o objetivo é pular para a janela de outro prédio, vizinho, enquanto os móveis caem sobre eles. Fantástico. Para quem se fascinava com as seqüências de Batman & Robin no SNES, Uncharted é estonteante.

A outra grande seqüência é a do trem. Num determinado momento, antes de ir parar no Tibet, Drake sobe em um trem inimigo e percorre toda a sua extensão (pelo menos, boa parte dela), abatendo os capangas dos vilões, subindo e descendo pelos vagões. O que mais impressiona nesse capítulo da aventura é o cenário, fantástico, que vai se desfilando enquanto o trem anda. A locomotiva passa em alta velocidade por pântanos, florestas densas, pontes, desfiladeiros, túneis etc. E esse cenário fantástico nunca se repete, por mais que você se demore de propósito. Impressionante.

Corre um boato de que Uncharted será transformado em filme. Se preservarem nas telas dos cinemas a carga de dinamismo presente nos jogos, fico satisfeito. Além disso, claro, a história deve estar à altura. Mas a origem de Drake é muito vaga, ainda não foi desenvolvida de forma apropriada pelos próprios criadores, e então fica difícil fazer um filme contando de onde veio o personagem de Uncharted. 

Se esse game fosse um livro, eu digo que teria sido escrito por Matthew Reilly.

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Portanto, fica a recomendação para quem gosta de jogos de aventura a la Indiana Jones. Uncharted é um jogo que, sem dúvida, você não vai se arrepender de ter – e, óbvio, de jogar.