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22 setembro 2010

A lista de livros para as férias

Hoje à noite, passeando pelas livrarias do shopping Iguatemi, vi na estante de lançamentos o livro Não há silêncio que não termine, no qual a colombiana Ingrid Betancourt narra a trágica experiência pela qual passou na selva amazônica, durante os seis anos em que esteve refém de um grupo de guerrilheiros das Farc.

O livro me pareceu muito bem escrito e, além disso, pareceu ser o tipo de literatura que eu aprecio. A minha atenção foi cativada logo na primeira página, quando Ingrid narra uma de suas tentativas de fuga do campo em que estava confinada na selva. A mescla de drama, política, aventura e filosofia desperta muito o meu interesse, pois são esses gêneros os que mais me atraem na literatura.

Com Não há silêncio que não termine, a minha lista de livros para serem lidos nas férias ganhou mais um item. Ao todo, são:

DostoiévskiFonsecaMansfieldSingtonBetancourtSkinner

O adolescente, de Fiódor Dostoiévski

O seminarista, de Rubem Fonseca

Contos, de Katherine Mansfield

A garota Einstein, de Philip Sington

Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt

Sobre o behaviorismo, de B. F. Skinner

14 setembro 2010

Uma boa dica sobre literatura vampiresca

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Lord Byron e Bram Stoker

Como sempre, passeando pelos corredores da minha livraria predileta, encontrei um livro que despertou o meu interesse e fez com que eu me sentasse na poltrona mais próxima e lesse várias de suas páginas, alheio ao tempo e às pessoas que por lá passavam. Até aí, nada de inusitado: é o que sempre acontece comigo, pegar um livro que me chamou atenção e folheá-lo demoradamente.

A grande novidade é que esse veio diretamente da bancada em que estão à mostra a série Crepúsculo e uma miríade de outros títulos sobre literatura romântica-vampiresca – a grande maioria, água-com-açúcar. Não é o meu estilo de literatura, mas, como de costume, paro em cada bancada e analiso o que estão a vender.

Foi quando saltou aos meus olhos um livrinho chamado Contos clássicos de vampiro, coletânea lançada pela editora Hedra. O volume reúne textos lendários acerca do mito do vampiro, textos escritos por autores como Lord Byron, Bram Stoker e Francis Crawford. Já li dois contos – um deles, o do Byron, duas vezes – e adorei. Vale a pena para quem aprecia a boa literatura. As histórias são bacanas e o texto é gostoso de ler.

Em breve, a resenha completa do livro estará disponível aqui no Blog.

06 setembro 2010

Meu caso com a fonte Electra

"Quando tenho algum dinheiro, compro livros. E quando resta alguma coisa, aí eu compro roupas e comida." (Erasmo*)

Esta não é uma postagem séria. Convém esclarecer.

Por muito tempo, ultimamente, eu vim publicando aqui no blog somente resenhas sobre os livros que eu leio. Devo confessar que, quando criei o Gato Branco em Fuligem de Carvão, minha intenção inicial era não só escrever artigos sobre esses livros, mas falar também de qualquer outra coisa que entrasse no universo da literatura, fosse o que fosse.

E já faz algum tempo que eu quero escrever algo sobre fontes de livros (em outras palavras, a tipologia usada no miolo de determinadas edições). Acho que vou usar este post para isso. É bom que eu saio da mesmice das resenhas e abro uma discussão nova, até porque vejo que são poucas as pessoas que se importam com as fontes usadas em certos livros – e para mim, infelizmente, isso é uma coisa de importância sui generis.

Dessa vez, quem está no banco dos réus é ela: a fonte Electra, de Dwiggins. Pela primeira vez, estamos nos enfrentando cara a cara, abertamente.

Electra

A dita cuja. Sejam sinceros: não é estranha?

Minha rixa contra essa letra é fácil de entender. Eu apenas a acho moderna demais para ser empregada em livros, e, o que é pior, em livros sérios, clássicos. Posso estar delirando em público escrevendo este artigo, mas a verdade é que eu acho a Electra totalmente incompatível com títulos de autores como J. M. Coetzee, Salman Rushdie, Philip Roth etc. Essa letra me passa uma impressão de agilidade, superficialidade, modernidade, efemeridade… incompatível com os livros de autores desse calibre.

E, para a minha tristeza, a Electra pode ser encontrada em inúmeros títulos hoje em dia. Antigamente, ela era mais rara, mas agora está em Um país distante, em Os filhos da meia-noite, em Verão e O animal agonizante, só para citar alguns. Eu acho que seria capaz de pagar mais caro por um livro, só para trocar a Electra por uma fonte estilo Iskoola Pota, por exemplo. Tudo bem, exagerei. Não pagaria mais caro.

Um país distanteOs filhos da meia-noiteVerãoO animal agonizante

As vítimas, em ordem de citação

Mas se existe uma fonte realmente arrebatadora de tão boa, essa maravilha se encontra nos livros da editora Alfaguara, selo da Objetiva. A tal da letra é tão boa que seu nome nem consta na ficha catalográfica dos livros em que é publicada, e até hoje eu fico sem saber como essa beleza se chama. De qualquer modo, falar da competência da Alfaguara já é assunto antigo, não?

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*Não sei quem é Erasmo. O livro de onde tirei a frase também não explicava.

30 agosto 2010

Non-Stop – Crônicas do cotidiano, de Martha Medeiros

"Um dos meus defeitos de adolescente era não gostar de nada que eu não compreendia, a começar por mim mesma." (p. 131)

Non-Stop - Crônicas do cotidianoMartha Medeiros

Há umas duas semanas eu ando lendo um livro chamado Non-Stop – crônicas do cotidiano (2001), que é um conjunto de crônicas escritas pela escritora gaúcha Martha Medeiros, publicitária e redatora de agências conhecida no Brasil pela obra Divã, cuja adaptação para o cinema teve grande sucesso.

O exemplar que chegou às minhas mãos foi presente de um amigo que estimo bastante, e que adora conversar comigo sobre literatura. Além do livro em questão, ele me presenteou também com O seminarista, de Rubem Fonseca, romance que terá seu lugar aqui no blog em breve. O livro da Martha foi lançado em uma edição de bolso da L&PM Pocket.

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Sinopse: Vivemos um tempo de manchetes espetaculares explodindo nos jornais; a vida passa ao vivo pela TV e todos nós acabamos por compartilhar planetariamente os dramas do mundo. E se por um lado há o grande mundo que todos vêem pela televisão, por outro, há o pequeno e anônimo mundo de cada um de nós. O cotidiano dos milhares de pessoas que circulam pela cidade grande com suas incertezas, alegrias, dúvidas, paixões, dramas e esperanças. Martha extrai da complexidade dos tempos que correm a reflexão que atinge e aquece o coração dos seus leitores.

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Eu nunca havia lido um livro de crônicas, essa é a verdade. Mal sabia discriminar que gênero é esse de que as pessoas tanto falam e que impulsiona tantos escritores. Eu já havia lido alguns textos intitulados de "crônicas" escritos por Carlos Drummond e Olavo Bilac, mas foi somente lendo Martha Medeiros que finalmente entendi o que significa a crônica moderna por excelência.

De textos que vão desde setembro de 1999 até setembro de 2001, Martha discorre sempre sobre o mesmo assunto: o cotidiano e devemos perceber que esse é um tema vastíssimo. Ela escreve sobre a sociedade em geral, sobre filmes a que assiste, livros que lê, cartas que recebe, cenas que testemunha etc., e invariavelmente dá a sua opinião sobre a coisa.

Non-stop Divã

Non-stop (edição de luxo) e Divã

No entanto, apesar da vastidão de assuntos, o que a autora parece preferir é o subtema "relacionamentos amorosos", sexo incluído, responsável por uma boa quantidade de textos. Essa fixação pelo tema às vezes sugere uma semelhança com livros de auto-ajuda, mas – ainda bem – passa longe da pieguice, coisa que a própria autora não suporta.

As crônicas são curtíssimas e mal chegam a duas páginas. Para se ter uma idéia, a coletânea tem 254 páginas e mais de cem textos. Realmente é o tipo de redação que se publica numa coluna de jornal; uma espécie de "pausa curta para reflexão" enquanto você está passeando seus olhos pelas notícias. Uma única crônica pode ser lida em menos de um minuto.

Com alguns pensamentos você concorda, com outros não; alguns você acha esquisitos, outros, lúcidos. E é sempre bom entrar em contato com essas opiniões diferentes, primeiro porque o leitor repensa as suas questões e, segundo, porque ele tem a oportunidade de se reafirmar.

Minha mãe devorou o livro e até pensou em comprar outros da Martha, como Doidas e santas e Divã. Talvez eu dê a ela um de presente.

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Conclusão: é o tipo de literatura destinada a passar o tempo. Como livro de crônicas, excelente.

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Abaixo, um trecho muito interessante:

"Foram os livros que me deram consciência da amplitude dos sentimentos. Foram os livros que me justificaram como ser humano. Foram os livros que destruíram um a um meus preconceitos. Foram os livros que me deram vontade de viajar. Foram os livros que me tornaram mais tolerante com as diferenças. Foram os livros que me deram ânsia de investigar mais e profundamente o meu mundo secreto." (p. 148)

Abaixo, o trailer do filme Divã, inspirado em uma obra de Martha.

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