Acreditem, eles existem às pencas. Basta procurar direito.
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Se você, amigo (que com certeza veio parar neste blog por puro acaso), pertence à laia dos leitores de livros que não se contentam apenas com o que a lista de mais vendidos da VEJA ou da Época alardeia em suas últimas páginas, este é um tópico que provavelmente despertará a sua atenção: Autores ou livros que são ótimos, mas que são desconhecidos do público (e que não entram em lista alguma de “mais vendidos”).
Você conhece algum livro ou algum autor “anônimo” assim? Provavelmente.
Não é fácil achar uma obra literária que seja boa e anônima, pela simples e primordial razão de que tudo o que é bom (ou nem sempre, certo) vem à tona muito rapidamente. Embora tenhamos muitos exemplos de livros que são piegas e que, ainda assim (ou talvez por isso mesmo), conquistam o coração do público, existem também muitos autores e livros originais e ótimos que não chamam a atenção das pessoas. Por que razão? Porque não são devidamente divulgados.
(Eu poderia começar a falar aqui sobre como a mídia da televisão e dos jornais influencia o gosto alheio, etc. etc., mas vou deixar essa questão política e social de lado.)
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Bom, vamos ao que interessa. Eu gostaria de começar falando sobre um "achado" que veio cair em minhas mãos recentemente. Trata-se de um escritor: o escritor indo-americano Amitav Ghosh, que, infelizmente, só possui três romances publicados aqui no Brasil, sendo que um deles (O Cromossomo Calcutá) está esgotado há quase dez anos. Os outros dois (O Palácio de Espelho e Maré Voraz) saíram pela (ótima) editora Alfaguara. Se você fala inglês fluentemente e conhece esse idioma como a palma de sua mão, considere-se um felizardo, porque assim poderá ler os vários romances do Ghosh no original. (É, ele pertence ao grupo de escritores indianos que escrevem sobre a Índia, mas moram nos E.U.A e escrevem em inglês.)
Amitav Ghosh é um autor mundialmente reconhecido e, inclusive, chegou a ser comparado pelo The Observer a Dickens, Tolstói e Dumas na mesma frase! Seus livros geralmente abordam questões políticas, ambientais e sociais ao mesmo tempo – e o que torna tudo isso atraente é o fato de que Ghosh consegue imergir esses assuntos no meio de uma história incrivelmente cativante e cheia de aventuras e suspenses, dando margem até para a poesia e para o amor. Maré Voraz é um exemplo de um livro com essas qualidades de que estou falando.
É comum, em seus livros, Ghosh misturar elementos verídicos com elementos fictícios, criando uma história que ganha em verossimilhança por conta da citação de fatos reais ao longo do texto.
Por sinal, seu romance Sea of Poppies é considerado o Melhor Livro de 2008 por inúmeros jornais internacionais de respeito, incluindo San Francisco Chronicle, Chicago Tribune, Washington Post, New York e etc. Por informações como essa, dá para perceber que o indiano é peixe grande na literatura. E por que ele não é explorado pelos editores brasileiros? Mistério…
Estou com certa vontade de ler seu romance Palácio de Espelhos, um monumental e épico livro que fala, dentre outras coisas, sobre a colonização da Índia pelos britânicos.
Outro sujeito da literatura que não é muito conhecido por nós, brasileiros, mas que mesmo assim qualifico como sendo “ótimo” é o norte-americano David Benioff, autor do muito divertido Cidade de Ladrões – livro que, inclusive, mereceu uma postagem aqui no Gato Branco.
Apenas o romance supracitado de Benioff possui tradução para o português, de modo que podemos ter somente uma atevisão do que é o trabalho dele. Aliás, nem tanto: Benioff escreve muitos roteiros para o cinema, tendo já assinado projetos famosos como Wolverine – Origens e Tróia. É através desses filmes que também podemos conhecer um pouco mais do seu processo criativo. Mas na literatura… muito pouco, por enquanto.
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E você, por acaso tem alguma dica de um autor (ou de um livro) desconhecido, mas excelente?
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