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30 janeiro 2009


19 janeiro 2009

Hollywood acerta


Faz poucos instantes que acabei de assistir ao filme O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, 2008), e não hesito em dizer que, apesar de ter estreado agora em janeiro, já tem tudo para ser um dos melhores filmes do ano.

Como não quero perder tempo bolando uma sinopse, vou pôr aqui a de outrem:

"Logo após o final da Primeira Guerra Mundial, o empresário Thomas Button teve uma grande surpresa quando sua esposa deu a luz ao seu primeiro filho. Além de a mulher falecer no parto, o bebê nasceu com uma estranha doença, que lhe dava o aspecto de um velho. Desiludido, o homem abandona a criança, que passa a ser criada pela enfermeira Queenie. Passando a infância em um asilo com a mãe adotiva, Benjamin (Brad Pitt) é tido como mais um dos idosos do local.

O curioso caso de Benjamin Button faz com que ele se torne cada vez mais jovem em vez de envelhecer com o tempo. Assim, ele vai tendo cada vez mais energia e agilidade, se livrando aos poucos de doenças como artrite, catarata e calvície. No asilo, Benjamin conhece Daisy, uma menina de apenas 5 anos que o encanta logo a primeira vista. Apesar de seu aspecto de velho, ela também gosta do estranho amigo.

Com o passar dos anos, a relação entre os dois se torna próxima, mesmo quando Benjamin decide se tornar marinheiro, viajando o mundo em um rebocador, ou quando Daisy (Cate Blanchett) vira uma grande bailarina em Nova Iorque. Quando os dois se reencontram, porém, as diferenças entre eles se acentuam pelo tempo distante. Decididos a ficarem juntos e superar qualquer problema, logo eles percebem a dificuldade de um relacionamento em que a diferença de idade se torna cada vez maior."

Por aí, dá para perceber que a trama é bem original. Diferente de tudo o que eu já vi até hoje. O roteirista Eric Roth (de Forrest Gump) fez um excelente trabalho. Assim como o diretor David Fincher (de Clube da Luta) e todo o resto dos cineastas, incluindo a dupla de produtores Frank Marshall e Kate Kennedy, que estão com o nome em todas as películas ótimas a que assisto. Para completar, só faltava a direção de fotografia ficar por conta de Eric Gautier (de Na Natureza Selvagem) que não ia ter para mais ninguém - não que Cláudio Miranda tenha feito um trabalho ruim, óbvio, só estou mencionando um artista preferido.

Sem mais volteios, é isso. Estamos diante de um daqueles filmes que, longe de clichês e pieguices, passam uma mensagem emocionante e reflexiva para o telespectador. Também me chamou a atenção o cuidado que os produtores do filme tiveram ao tratar as épocas representadas no filme - afinal, a história vai de 1915 até 2005, e penso que não deve ser fácil ir ajustando as coisas ao redor (carros, roupas, arquitetura...) à trama sem cometer anacronismos.
Adoro esses filmes que põem uma pitada de irrealidade em suas histórias, e acabam sendo tão verossímeis que passamos a achar o elemento fantástico natural. O Curioso Caso de Benjamin Button segue essa linha, conseguindo ser exclusivo e ter seu brilho próprio. Diálogos de efeito, cenas marcantes, maquiagem impecável e toques de humor ingênuo ajudam a fazer a glória do filme.
A história é baseada num conto homônimo de 22 páginas do escritor norte-americano F. Scott Fitzgerald (1896-1940). Ainda não tive a oportunidade de ler o conto, mas vou procurá-lo por aí nos próximos dias. O que é engraçado é que partiram de um texto tão pequeno e fizeram um filme de quase 3 horas; diferentemente do que acontece em outros casos, onde pegam um livro gigantesco e tentam comprimir em uma película de 1 hora e meia, estragando toda a história.

Aposto como O Curioso Caso de Benjamin Button ganhará algum Oscar no ano que vem. Não sei em que categoria (Melhor Filme, Melhor Maquiagem, Melhor Roteiro Adaptado...), mas está claro para mim que vai ganhar alguma coisa - caso a Academia ainda saiba premiar filmes de verdade.

Espero o lançamento em DVD. Altamente recomendável. Não deixe de assisti-lo sob nenhum pretexto.

13 janeiro 2009

Kafka à Beira-mar, de Haruki Murakami



Ontem pela tarde finalizei o mais recente romance do japonês Haruki Murakami: Kafka à Beira-mar (Umibe No Kafuka, no original japonês), escrito em 2005.

Antes de tudo, devo dizer: o livro é maravilhoso. E me agradou mais que o best-seller do autor, Norwegian Wood, anteriormente resenhado aqui - não que este último seja ruim, claro, longe disso. Acontece que em Kafka à Beira-mar temos uma história magistralmente bem construída, muito cativante e essencialmente imaginativa, o que faz com que suas pródigas 571 páginas não sejam nem um pouco cansativas.

A história (narrada em 1ª pessoa) é a seguinte: aos 15 anos de idade, Kafka Tamura decidir abandonar a casa onde morava com o pai, justamente para fugir de uma terrível profecia que este lhe lançou, além de tentar encontrar a mãe e a irmã, que o abandonaram quando pequeno. Viajando pelo país, Kafka chega à Biblioteca Memorial Komura, e lá muitos segredos sobre sua vida serão revelados.

Paralelamente a isso (e narrada em 3ª pessoa), temos a história de Satoru Nakata, um homem idoso que sofreu um estranho acidente na infância e que, conseqüentemente, adquiriu alguns poderes paranormais - como ter a capacidade de conversar com gatos e fazer chover peixes do céu.

De início, pode-se imaginar o que essas duas histórias tão díspares teriam em comum para terem sido colocadas no mesmo livro. Mas, ao longo do romance, o mestre Murakami nos mostra que ambas têm muita semelhança e que praticamente não poderiam viver separadas. Pontilhada de diálogos e situações inesquecíveis, a história cativa qualquer leitor de bom gosto. "Isso aqui não é nenhum conto de fadas. Em nenhum sentido", diz o personagem Kafka. Mas, contradizendo-o, eu diria que o livro é uma parábola. Uma grande parábola moderna e criativa.

O estilo de escrita segue um ritmo bonito e envolvente, e como conseqüência a leitura torna-se agradabilíssima. E, o que é mais interessante, os acontecimentos fantásticos (conversar com gatos e fazer chover peixes do céu) nunca nos parecem absurdos ou forçados. Muito pelo contrário, conseguem fazer todo o sentido. Mais que em Norwegian Wood, em Kafka à Beira-mar Murakami nos revela todo o seu potencial de escritor.

Sempre me sinto desconfortável para falar de um livro de que gostei tanto. Acho que é porque, pelo fato de ter adorado, muita coisa me vem à mente, e fica difícil pôr tudo em ordem. No entanto, recomendo a leitura sem restrições. Tenho certeza de que qualquer apreciador da boa literatura irá gostar bastante, tanto quanto eu gostei.

"Sou livre, penso. Fecho os olhos e considero por instantes a idéia de liberdade. Não consigo entender direito o que significa ser livre. Entendo apenas que, neste momento, estou sozinho. Estou sozinho em terra estranha. Como um explorador que perdeu bússola e mapa. Ser livre é isto? Não sei. Desisto de pensar." [página 58]

08 janeiro 2009

Adeus, Michael Crichton


Sei que já é tarde para escrever sobre isso - e só hoje me ocorreu a idéia -, mas realmente tenho de dedicar uma parte do meu tempo para comentar sobre esse excelentíssimo contador de histórias que faleceu no final do ano passado. Trata-se de Michael Crichton, cujas obras me transportaram para outro mundo quando criança e cujas viagens ao redor do mundo me inspiraram quando adolescente.

São de sua autoria o famosíssimo "Jurassic Park", "Mundo Perdido", "Linha do Tempo", "Presa", "Estado de Medo", "Esfera" e "Next", só para citar alguns. O primeiro livro "para adultos" que li na minha vida foi Jurassic Park, aos 13 anos, e nem é preciso comentar muita coisa sobre ele; basta dizer que o livro é uma fabulosa aventura eximiamente bem escrita e bem embasada, transposta magistralmente para o cinema por Steven A. Spielberg.

O que cativa na narrativa de Crichton é sua capacidade de abordar temas científicos de modo quase didático, e com isso criar um thriller cheio de aventura e questões pertinentes. Dono de uma linguagem enxuta e concisa, ele conduz o leitor de modo agradável e imperceptível até as últimas páginas dos seus mais excitantes romances - basta ler "Esfera", por exemplo, para saber do que estou falando.
Crichton podia ser um escritor ousado, até irreverente, quando expressava suas idéias. Mesmo assim, nunca criticou uma entidade individual. Referia-se sempre ao todo, à humanidade e às pessoas de uma maneira generalizada. Apesar de ter sido enquadrado na linhagem dos escritores best-sellers - o que espanta alguns leitores sisudos - sua obra merece ser lida e devidamente apreciada.

Adeus, Michael Crichton. Obrigado por ter encutido na minha cabeça a idéia de querer ser escritor.