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13 abril 2014

Nos bastidores do Pink Floyd, de Mark Blake

"(…) o rock estava desesperado para ser levado a sério como forma de arte." (p. 200)

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Era uma manhã de sábado quando minha ex-namorada me telefonou e disse que tinha uma notícia capaz de me deixar muito feliz. Sem conseguir deduzir que notícia era essa, pedi que ela rompesse com o suspense e me contasse logo. "Finalmente lançaram uma biografia do Pink Floyd", ela revelou. "Acabei de ver na televisão. Um jornalista conceituado norte-americano publicou um livro em que conta a história da banda desde os primórdios até pouco depois do Division Bell." E ela encerrou a ligação dizendo: "Bom, achei que você gostaria de saber."

Mas é claro que eu gostei de saber. Como grande admirador da banda britânica de Cambridge desde criança (lembro de ouvir meu pai colocando os clássicos Time e Wish You Were Here para tocar em casa, durante bons domingos modorrentos), a notícia de que alguém finalmente havia se dado ao trabalho de contar a história do Pink Floyd me encheu de animação. Há anos reunindo discografia, bootlegs, DVDs e pequenos documentários na internet, eu senti que com o advento daquele livro uma grande parte da minha sede de informações sobre os bastidores da banda seria saciada; havia algo naquela biografia que poderia ser chamado de definitivo.

Sendo assim, eu deveria colocar minhas mãos nela o quanto antes. No Brasil não havia até então um livro completo sobre a história do Pink Floyd, e por isso a perspectiva de entrar em contato com um trabalho profundo como esse era agradável.

Para escrever Nos bastidores do Pink Floyd (Pigs might fly: the inside history of Pink Floyd, 2007) Mark Blake fez um trabalho digno de um bom jornalista documental e realizou entrevistas extensas com os integrantes da banda, com produtores, colegas de trabalho, amigos, namoradas, críticos musicais e até mesmo outros músicos ligados aos rapazes de Cambridge. O resultado é um livro de 450 páginas que esmiúça detalhes da trajetória do Pink Floyd desde as formações iniciais na década de 1960 até os álbuns pós-Waters, passando pelas conturbadas turnês e pelas famosas brigas judiciais. Blake encerra a obra momentos depois da morte de Syd Barrett, em 2006, descrevendo um evento em que o ex-fundador do conjunto é homenageado por amigos e pelos ex-colegas de banda.


Sinopse: Criada em Cambridge, na Inglaterra, Pink Floyd é considerada uma das bandas de rock progressivo mais influentes do mundo. Famosa por suas letras contestadoras e shows bem elaborados, a banda que vendeu mais de 230 milhões de álbuns em todo o mundo também ficou muito conhecida pela desordem e pelo desentendimento dos integrantes, que algumas vezes chegaram a sobrepujar as conquistas. Interessada em desvendar os mistérios que cercam a polêmica história da banda, a Editora Évora, pelo selo Generale, traz ao Brasil Nos Bastidores do Pink Floyd, a mais completa e detalhada biografia deste ícone do rock moderno.


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O início do livro é um verdadeiro convite à atmosfera psicodélica e criativa dos anos 1960, quando teve início a história daquela banda que viria a ser conhecida no mundo todo. "Leitura prazerosa e informativa" é uma boa expressão para qualificar esta biografia. Fãs de Pink Floyd irão encontrar na obra de Blake muitas informações que, de alguma maneira, já são lugares-comuns na história do conjunto, mas que aqui adquirem um tom formal e vêm acompanhadas de detalhes muito interessantes e até então inéditos. Por exemplo, a substituição de Barrett por Gilmour nos palcos – e, depois, na formação oficial da banda – é rica em testemunhos e relatos pessoais, o que nos dá uma compreensão mais ampla da história. Cada membro dá a sua visão sobre os acontecimentos que afetaram a trajetória da banda, e o autor costura esses depoimentos com grande habilidade, construindo uma cronologia perfeita.

Para clarear um pouco os momentos turbulentos do Pink Floyd, Blake chega a citar episódios controversos como, por exemplo, a ira de Roger Waters ao cuspir no rosto de um homem sentado na primeira fileira da plateia, durante a turnê de Animals em 1977, fato que o impulsionou a criar a obra-prima The Wall – amargurado, o álbum é praticamente uma retrospectiva de sua vida. Como não poderia deixar de ser, temos também detalhes acerca da elaboração de The Dark Side of the Moon, divisor de águas na carreira do grupo, e tudo o que levou a banda a começar a se desentender a partir da década de 1970. São constantes as referências às outras bandas da época – como Yes e Beatles – e às revistas que opinavam sobre a performance do Floyd nos estúdios e nos palcos.

Juntando tudo isso, chegamos a uma conclusão óbvia: muito mais do que um amontoado de curiosidades sobre o Pink Floyd, o livro de Blake é um documento extremamente detalhado e lúcido sobre a biografia da banda como um todo – além de conter longos trechos que também lançam luz sobre os passos de cada membro fora da banda, seja nas suas carreiras solo, seja na sua vida pessoal. Destaque para a cobertura que o autor nos fornece acerca de Syd Barrett – após ser demitido do grupo no final da década de 1960, ele esboçou uma carreira solo e viveu uma vida reclusa e enigmática.

Para os fãs que leem o livro, é muito agradável e empolgante acompanhar a ascensão do Pink Floyd, que começou tocando em clubes noturnos locais regados a ácido lisérgico e, depois, em sua fase madura, lotava estádios e produzia shows pirotécnicos dignos de deixar qualquer cético abalado – gerando, claro, milhões de dólares no processo. Talvez mais empolgante ainda é acompanhar, passo a passo, a produção e a elaboração de todos os CDs de estúdio da banda, incluindo aí o mítico encontro do Floyd com os Beatles durante a gravação de The Piper at the Gates of Dawn, no lendário Abbey Road.

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A biografia tem o grande mérito de não se perder em detalhes técnicos enfadonhos sobre o mundo corporativo da música e, assim, consegue alcançar uma escrita leve, embora densa pela quantidade de informações que traz consigo. De fato, o livro parece priorizar mais as questões humanas da vida pessoal de cada membro e da experiência deles enquanto quarteto de rock. Tanto é que grande parte da primeira metade da obra conta com os testemunhos de Libby Gausden, namorada de Barrett na época em que o Pink Floyd era ainda uma ideia difusa. Valendo-se de uma visão em retrospecto quase nostálgica, Libby revela um pouco da atmosfera dos anos 1960 e conta casos específicos envolvendo o ex-namorado, além de detalhes da personalidade de Syd.

É fácil perceber como o grupo começou a criar tensão depois do sucesso de The Dark Side of the Moon. Como diria Nick Mason, a popularidade do álbum clássico da banda fez todo aquele dinheiro e toda aquela fama surgirem de repente – e os rapazes de Cambridge não sabiam muito bem como lidar com isso, o que acabou levando todos a disputarem mais acirradamente seu espaço na banda. De modo que, além de descrever a produção dos álbuns de estúdio do Floyd nos anos 1980, a segunda metade da biografia aborda detalhes do que seria a principal preocupação do grupo naquela época: questões judiciais envolvendo os direitos de cada membro, sobretudo de David Gilmour e Roger Waters. O clima de fim de festa nessa altura do livro não passa despercebido: é como se, realmente, o Pink Floyd devesse admitir que o melhor que tinham a oferecer já havia ficado para trás há muito tempo.

A escrita do autor chega a ser quase neutra ao relatar polêmicas e acontecimentos turbulentos, o que dá ao livro um caráter bem-vindo de seriedade. Rico em informações de todo tipo, fiel ao seu objetivo de detalhar o surgimento e a trajetória da banda, Nos bastidores do Pink Floyd é leitura obrigatória para os fãs de carteirinha do conjunto.

14 outubro 2012

Disco: Privateering, de Mark Knopfler

O mais recente álbum do músico inglês que nunca decepciona

Mark Knopfler – Privateering (2012)

Depois de mais ou menos três anos de espera, desde o lançamento de Get Lucky (2009), finalmente pude colocar as mãos no mais recente álbum solo do músico britânico Mark Knopfler: Privateering (2012), um disco duplo que totaliza 20 canções embaladas pelo gênero folk blues, tão apreciado por Knopfler. Fã incondicional do ex-líder da extinta banda Dire Straits, eu sempre acompanhei com entusiasmo as produções individuais de Mark – e posso dizer, com segurança, que nunca tive uma decepção real com aquilo que ele já compôs em todos esses longos anos.

Mistura equilibrada de country e folk blues, com uma leve e persistente presença do rock clássico, utilizando-se de instrumentos como sanfona, banjo e violino, Privateering é – assim como o disco anterior, Get Lucky – uma prova consistente e indiscutível da maturidade artística de Knopfler. Maturidade esta que, na verdade, ele sempre pareceu possuir, desde o distante trabalho em Golden Heart (1996), seu primeiro disco solo, em que já estavam presentes o bom ritmo, as letras com qualidade, a "ousadia comportada" característica do músico e a voz com timbre grave e sorumbático.

Mark já lançou sete discos solo até o momento. Com Privateering, ele dá algumas mostras de como anda sua tendência atual: uma simpatia pelo som norte-americano aliada à paixão pelas origens celtas. Essa união singular produz músicas belíssimas, como a balada "Kingdom of Gold" e a nostálgica "Haul Away". A faixa-título, "Privateering", é sem dúvida uma das melhores do álbum, e posso dizer que ela já era a minha preferida mesmo nas versões ao vivo que Mark Knopfler reproduziu nas suas últimas turnês.


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Get Lucky (2009) e Golden Heart (1996): álbuns com a maturidade sempre notável de Mark Knopfler


Ouvintes de Dire Straits podem estranhar o som de um álbum como Get Lucky, por exemplo, ou de Privateering, dada a enorme diferença entre o ritmo pop da antiga banda inglesa e a profundidade mais arqueológica do trabalho solo de seu ex-líder. Ao lado de grandes hits como "Sultans of Swing" e "Money for Nothing", faixas tais como "Redbud Tree" ou "Dream of the Drowned Submariner" podem soar monótonas, enfadonhas ou incompreensíveis. No entanto, bem feitas as contas, já na condição de guitarrista dos Straits, Mark Knopfler plantou sementes que mais tarde, em sua carreira solo, floresceriam. Essas sementes, vejo agora, eram músicas como as saudosas "Why Worry", "Ride Across the River" e "Lions", dentre outras.

Aos fãs de Knopfler, resta então se deleitar com este novo álbum, original, eclético, profundo e agradável aos ouvidos… e esperar pelo próximo trabalho deste músico que, apesar dos passeios que já fez pelos mais diferentes ritmos e solos, nunca decepcionou aqueles que cativou desde os anos 1980.

extralarge


Privateering (2012)

CD I

  1. Redbud Tree
  2. Haul Away
  3. Don’t Forget Your Hat
  4. Privateering
  5. Miss You Blues
  6. Corned Beef City
  7. Go, Love
  8. Hot or What
  9. Yon Two Crows
  10. Seattle

CD II

  1. Kingdom of Gold
  2. Got to Have Something
  3. Radio City Serenade
  4. I Used to Could
  5. Gator Blood
  6. Bluebird
  7. Dream of the Drowned Submariner
  8. Blood and Water
  9. Today is Okay
  10. After the Beanstalk

05 março 2012

Red Dead Redemption: jogo e trilha sonora

"Passo na frente de um trem desgovernado, só para me sentir vivo outra vez."

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Quem anda constantemente atualizado no mundo dos video-games provavelmente já ouviu falar do jogo Red Dead Redemption, um dos mais badalados lançamentos do ano de 2010 para os consoles Playstation 3 e XBox 360 – plataformas para as quais ele foi produzido. Colecionando críticas elogiosas ao redor do mundo (média de 95% nos agregadores Metacritic e GameRankings), o game, desenvolvido pela empresa Rockstar (a mesma que nos deu a franquia do célebre Grand Theft Auto), vendeu mais de 2 milhões de unidades somente nos meses de maio e junho do ano em que chegou às lojas. Com essa marca de vendagem que não deixa de ser impressionante, elevou-se ao patamar reservado apenas aos jogos de maior sucesso de todos os tempos.

A história do jogo se passa por volta de 1911, no declínio do Velho Oeste Americano, e tem John Marston, um ex-criminoso, como personagem principal. Depois de abandonar a vida torturante e incerta de fora-da-lei, Marston é intimado pelo governo a colaborar na captura de três membros de sua antiga gangue. Acossado pelas autoridades, o anti-herói do jogo não tem escolha: sua família foi sistematicamente seqüestrada pelo governo, e Marston só pode vê-la novamente se aceitar capturar seus ex-colegas de bando e trazê-los para a luz da justiça.

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Bastam alguns minutos de jogo para que qualquer gamer reconheça que Red Dead Redemption possui um dos melhores gráficos  já produzidos no que diz respeito aos mundos abertos. (Um jogo de mundo aberto proporciona mais liberdade ao jogador, já que não há uma linearidade pré-estabelecida a ser seguida, mas, sim, um grande território no qual ele pode realizar, na ordem que preferir, pequenas missões que conduzem o enredo). Mesmo o cuidado com os detalhes do cenário são enormes, e prestar atenção em cada vestimenta, arma, ambiente, casebre ou cavalo é um passatempo divertido e muito bem recompensado.

Já joguei uma boa parte do jogo e, como eu disse antes, ele de fato possui uma qualidade ímpar. Mas o que verdadeiramente me motivou a escrever esta postagem foi a trilha sonora do game, que, na minha opinião, está à altura de tudo o mais que Red Dead Redemption oferece. Inclusive, dentre os diversos prêmios com os quais o jogo foi agraciado, estão o de "Melhor Música" e "Melhor Trilha Sonora Original" (segundo o Video Game Awards).

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Postarei aqui as duas músicas que mais me chamaram a atenção em todo o álbum gravado com exclusividade para o jogo. A primeira delas, Far away, foi composta e interpretada pelo sueco (filho de argentinos) José González,  recebendo, com justiça, o prêmio de Melhor Música em 2010. É um folk extremamente prazeroso e, de certa maneira, também melancólico. Para ouvir a faixa direto no Youtube, clique aqui.

(Ao que parece, a censura ao compartilhamento de cultura mostrou sua face mais uma vez, de modo que não consegui postar o vídeo diretamente aqui no Blog.)

A segunda música que gostei imensamente de ouvir é o próprio tema do jogo, intitulada, naturalmente, de (Theme From) Red Dead Redemption. Essa faixa, composta por Bill Elm e Woody Jackson, possui ares de grandiosidade crescente e lembra o conceito dos filmes antigos de western. Mais uma que vale muito a pena conferir. Por alguma razão, felizmente, consegui compartilhar o vídeo-áudio dessa música aqui mesmo. Confiram:

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(Caso, no futuro, o vídeo acima deixe de funcionar, ouçam a música no Youtube mesmo, clicando aqui).

Boa semana! :)

20 novembro 2011

Uma música, um estado de espírito; várias músicas, uma vida

Aceitaria de bom grado viver sem matéria, mas não sem música.

musica musica (1)

Há quem diga que 90% do nosso gosto musical não é construído através das nossas experiências próprias, mas a partir das tendências que herdamos dos pais, tios, avós, e assim por diante. Como se recebêssemos uma espécie de carga cultural naturalmente transmitida por nossos parentes mais diretos, passamos a admirar as músicas e composições das quais aprendemos a gostar desde muito cedo. Se a tradição de uma família (seus costumes, seus rituais, sua filosofia de vida) é ensinada a uma criança desde a sua mais tenra idade, não há porque não incluir o gosto musical nessa bagagem de elementos perpassados pelas gerações.

Cresci ouvindo músicas clássicas de rock, principalmente as músicas que faziam sucesso nas décadas de 1960 e 1970, incluindo bandas como Dire Straits, Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival, The Beatles, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, Bee Gees, entre outros. Lembro muitíssimo bem dos finais-de-semana passados na casa da minha avó, para onde convergiam todos os meus tios e tias, que colocavam na vitrola músicas de pop rock para a animação geral. A música da qual me recordo com mais nitidez é Sultans of Swing, do Dire Straits, cuja melodia hoje me traz sentimentos nostálgicos do mais alto grau.


musica (2)


Esse repertório musical montou as bases do que hoje eu chamo de meu gosto por músicas. Aprofundei meus conhecimentos sobre as bandas que ouvia na infância/adolescência, chegando ao ponto de ser mais bem informado sobre elas que os próprios tios e tias que as apresentaram para mim. Enquanto meu pai ainda está na fase Dark Side of the Moon e The Wall, do Pink Floyd, eu já tive há séculos a curiosidade de conhecer toda a discografia da banda – e, nesse processo, encontrei músicas que correspondem a verdadeiros tesouros, como algumas que se encontram nos álbuns Meddle e Animals.

De um modo geral, acredito que as músicas – todas elas, sem distinção de gênero – sejam tão importantes para a vida de uma pessoa quanto o estudo ou a presença de amigos. Este meu pensamento sempre é mal-interpretado, mas apenas porque certas pessoas não compreendem que, quando falo de música, não me refiro a nenhuma específica, mas ao contexto musical, à cultura musical mais abrangente possível. Estou convicto de que alguém que não sabe apreciar músicas – conheço muitos indivíduos assim – não possui um controle estável sobre as próprias emoções. Saber admirar uma boa música, assim como saber admirar um bom quadro, ou um bom livro, está intimamente relacionado ao domínio que eu tenho no âmbito das emoções.


Ferrari


É bem interessante lembrar do valor terapêutico das músicas. Muitas pessoas enxergam apenas diversão e entretenimento onde há, também, "massagem espiritual": as músicas não fornecem contexto apenas para entreter as pessoas, mas, principalmente, para fazê-las ter um contato melhor com a realidade na qual estão inseridas. Nunca me esqueço do dia em que, melancólico pela reprovação em um vestibular, eu disse a uma amiga: "Quero chegar em casa e ouvir música", ao passo que ela retrucou: "Como você consegue?" Minha amiga não percebeu que eu de fato não tinha a menor intenção de me divertir, mas de relaxar, de tentar colocar as coisas de volta nos eixos – com música.

Acredito muito na idéia de que nossa vida é formada por aquilo que nós gostamos de ouvir. Digamos que boa parte da nossa vida só faz sentido quando ela é embalada pela "trilha sonora" que escolhemos ter. Afinal de contas, nosso gosto musical define uma grande fatia do arsenal com o qual nos confrontamos com a realidade. Música é refúgio, é apego à natureza, à arte, é fuga do cotidiano.

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Deixo a seguir o áudio de uma das músicas mais belas que já tive o prazer de ouvir, de um dos melhores álbuns de Mark Knopfler, um dos melhores músicos da atualidade. Knopfler foi o líder guitarrista do Dire Straits, conjunto de rock lendário nos anos 70/80, e começou a sua carreira solo algum tempo depois do término da existência da banda.

A música se chama Before gas and TV e está no álbum Get Lucky, lançado em meados de 2009. Este é um dos poucos discos que escuto do início ao fim sem pular uma única faixa.

Vida longa aos adoradores da arte musical!

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11 julho 2011

Música: Shine on you crazy diamond, do Pink Floyd

Queria que você estivesse aqui.

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Eu costumo dizer que o entardecer de domingo é a hora mais apropriada possível para se escutar a música Shine on you crazy diamond, da banda britânica Pink Floyd. Não posso afirmar isso com certeza, mas acredito que na primeira vez em que ouvi essa canção – e isso faz muito tempo – estávamos em um domingo à tarde, às portas da noite. E, no final das contas, essa música memorável ficou associada na minha mente a esse horário do primeiro dia da semana.

Essa associação chega a ser muito importante para mim pelo simples fato de ser muito conveniente para todos. Quais são os sentimentos que nós geralmente sentimos quando estamos em um domingo, ao pôr-do-sol, às beiras de uma longa, tediosa e cansativa semana? Além de totalmente propenso à meditação sobre a vida, eu fico relativamente deprimido, tentando juntar forças para encarar as brabas atividades semanais. E não há trilha sonora melhor para embalar esse contexto de emoções do que Shine on you crazy diamond.

Como todos os fãs de Pink Floyd sabem, essa música se encontra no álbum Wish you were here, cuja arte da capa se encontra aí em cima. Shine on you crazy diamond abre e fecha o álbum, já que é dividida em duas grandes partes – a primeira com 13:32 minutos, e a segunda, com 12:22, totalizando uma viagem de 25:54. Nessa postagem, eu me detenho especificamente à primeira parte (a que abre o CD), pois ela é a minha preferida das duas, muito embora a parte II também seja excelente.


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Encarte do CD. Tão sinistro quanto a capa


Quando eu era criança, tinha medo da capa desse vinil. Disso eu lembro bem. Antes mesmo de conhecer qualquer música do Pink Floyd, eu vasculhava a discoteca do meu irmão a fim de olhar as capas dos CDs, e uma das que eu peguei certo dia foi justamente a de Wish you were here. Fiquei olhando para aquela foto durante dezenas de minutos, bestificado. "O cara está pegando fogo tranqüilamente. Que horrível". E passei a evitar olhar para aquele CD.

Hoje, tenho essa arte de capa como uma das minhas preferidas de todos os tempos. Acho que antigamente sabiam fazer capas de CDs de rock realmente boas, sem que precisassem colocar nelas um integrante da banda sequer. Essa do Floyd, por exemplo, é tão cheia de possibilidades de interpretação que eu sempre me pego encontrando um novo significado para ela. O sentido que mais gosto de dar a essa imagem é justamente a mais difundida entre os fãs: a banda Pink Floyd está se despedindo formalmente do seu co-fundador principal, Syd Barrett, que fora consumido pelas drogas e teve que se afastar dos palcos.

Aliás, é de conhecimento geral que Shine on you crazy diamond é uma homenagem ao ex-integrante da banda. Também gosto de ouvir essa música lembrando desse bonito detalhe.


Pink Floyd 1968

Uma foto da banda em que Gilmour e Barrett estão juntos


Para ser absolutamente sincero, não tenho o costume de escutar essa música na íntegra, embora a ache belíssima de qualquer modo. (Tenho uma teoria que diz que os fãs da banda não ouvem mais com a mesma freqüência as longas músicas do Floyd na íntegra, apenas os trechos que mais apreciam). Mesmo assim, é um hino, e gosto de escutá-la do começo ao fim pelo menos uma vez no mês.

De resto, me bastam os 4 minutos iniciais da música para que grande parte dos meus problemas sejam esquecidos. Estou falando da magnífica e famosa introdução de Shine on you crazy diamond, que começa com notas sutis do teclado de Richard Wright, em um longo lamento, que se junta a seguir com os acordes igualmente singelos da guitarra de David Gilmour. O curioso é que são notas dispersas, mas incrivelmente precisas. Fica a impressão de que elas não poderiam se arrumar de outra maneira que não aquela. É impressionante.

Igualmente impressionante é o poder sedativo desses quatro minutos iniciais. Dão a sensação de que você está entrando em um mundo novo, aconchegante, no qual pode finalmente respirar em paz, sem a presença de nada que lhe perturbe o espírito. Definitivamente, a introdução dessa música é um convite. Um convite a este mundo novo sem tribulações, asséptico e pacífico.

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Eu gostaria de falar mais sobre Shine on you crazy diamond aqui, mas, pelo que sempre se mostrou, fica difícil traduzir em palavras o sentimento despertado por uma música. É por isso que, no final deste artigo, disponibilizo o áudio para quem quiser experimentar por conta própria a primeira faixa do emblemático Wish you were here. Que ela consiga relaxar as almas inquietas e atormentadas que passam por este blog, se é que passam almas inquietas por aqui além da minha própria.

É isso. Deixo vocês com os versos (traduzidos) que compõem essa belíssima música que é Shine on you crazy diamond.


Lembra quando você era novo?
Você brilhou como o sol.
Brilhe, seu diamante louco.
Agora há um olhar em seus olhos
Como buracos negros no céu.
Brilhe, diamante louco.
Você foi surpreendido pelo fogo cruzado
Da infância e do estrelato,
Fundido na brisa de aço.
Venha, alvo de risos distantes.
Venha, seu desconhecido, sua lenda,
seu mártir, e brilhe!

Você alcançou o segredo cedo demais,
Você chorou para a lua.
Brilhe, diamante louco.
Ameaçado pelas sombras da noite
E exposto à luz.
Brilhe, diamante louco
Bem, você desgastou suas boas vindas
Com precisão aleatória.
Cavalgou na brisa de aço.
Venha, sonhador, seu visionário,
Venha, pintor, flautista,
prisioneiro, e brilhe!

Ninguém sabe onde você está,
Quão perto ou longe.
Brilhe, diamante louco.
Empilhe muitas camadas a mais
E estaremos nos unindo lá.
Brilhe, diamante louco.
E nós nos aqueceremos na sombra
Do triunfo de ontem,
E velejaremos na brisa de aço.
Venha menino,
Ganhador e perdedor,
Venha mineiro da verdade e da ilusão,
E brilhe!


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30 novembro 2010

Música: Echoes, do Pink Floyd

"Lá em cima os albatrozes se mantêm imóveis no ar…"

Meddle

"Meu pai tem esse vinil lá em casa. Com a música Echoes", disse-me Natália, ontem, enquanto almoçávamos no campus da universidade. Eu tinha dito a ela que estava pensando em escrever algo no blog sobre Pink Floyd, especialmente sobre um dos álbuns mais reverenciados pelos fãs da banda: Meddle.

Não perdi a chance que se desenhou à minha frente, de modo que fomos hoje à casa de Natália e conversamos com o pai dela, um sessentão forte e desenvolto, bronzeado. Como eu suspeitara que a nossa conversa seria não menos que boa, levei o meu gravador e o deixei ligado à vontade, enquanto bebíamos xícaras de café.


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Wright, Waters, Manson e Gilmour: formação definitiva


Num determinado ponto da conversa, descobri que, quem é fã de Pink Floyd e tem mais de 40 anos de idade, certamente se deparou com uma coisa muito curiosa na época: ao adquirir o álbum Meddle, os floydmaníacos viram na setlist que o Labo B do bolachão continha apenas uma única música, isolada totalmente das 5 outras que compunham o Lado A. Coisa idêntica havia acontecido apenas um ano antes, quando Atom Heart Mother fora lançado e, dessa vez no Lado A, havia apenas uma única faixa.

Isso pareceu esquisito demais para a maioria das pessoas (o pai de Natália, por exemplo, achou que o Pink Floyd faria isso em todos os álbuns posteriores), até elas descobrirem que Echoes tinha um pouco mais que 23 minutos de duração, tal como a primeira música de Atom Heart Mother. As pessoas não tinham como saber que aquela era apenas mais uma das mais longas músicas de Rock Progressivo de todos os tempos. Atom Heart Mother Suite e Echoes eram tão grandes que só mesmo um lado inteiro de vinil poderia comportá-las.


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Capa de Atom Heart Mother e o Lado A: apenas uma música


De toda a vasta preferência do pai, Natália herdou apenas o gosto por The Dark Side of The Moon, o álbum posterior a Meddle, que provavelmente alavancou o Pink Floyd às nuvens da consagração em 1972. Mas, como eu, o pai da minha amiga acha que foi Meddle o verdadeiro motor propulsor do que mais tarde viria a ser a mais emblemática banda de Rock Progressivo de nosso tempo. E, como eu, ele tem toda uma interpretação particular de Echoes.

Como toda boa música do gênero, Echoes possui o que chamamos de "compartimentos", ou seja, "ritmos instrumentais" diferentes contidos dentro da mesma música, que passa então a ser chamada de suíte. Um compartimento sucede o outro, e o ouvinte é levado a acompanhar os seus diferentes embalos ao longo de toda a suíte – cada um dura cerca de 5 minutos em Echoes. Desse modo, a faixa não possui uniformidade, mas é constituída de recortes.

O primeiro recorte começa com uma única nota do teclado de Richard Wright, que, soando vez após vez, lembra sons de pingos em água. Pouco depois, surge a voz suave da guitarra de David Gilmour, até que entram a bateria de Nick Manson e o baixo de Roger Waters.


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Capa de Meddle e o Lado B: mesma coisa


A descrição de cada "compartimento" da suíte não é interessante aqui, porque qualquer tentativa de transformar Echoes em palavras é fracassada. De qualquer modo, meu trecho preferido na música é aquele entre os 14:30 e os 18:45 minutos. Como o pai da minha amiga disse (faço minhas as palavras dele):

"Tudo parece se renovar aí. Sempre que ouço esse trecho, vem à minha mente a imagem de tudo se regenerando, do sol saindo por trás das nuvens, da névoa se dissipando, das flores desabrochando, de alguém prestes a atingir o topo de uma montanha, da iminência de algo grandioso e inevitável…"

Quando a guitarra de Gilmour "explode" numa mixórdia de acordes aos 18:14, eu, particularmente, imagino uma sucessão de imagens totalmente aleatória. Imagens de todos os tipos, retratando todas as coisas. Se existe algo parecido com um orgasmo em uma música, é provavelmente nesse trecho de Echoes que a gente o encontra. Eu acho.

Por fim, o pai de Natália, meu mais recente amigo floydiano, disse que tinha o costume de ouvir essa música quando estava deprimido. Eu disse que coisa parecida ocorre comigo. Echoes acalma o espírito; as coisas parecem se encaixar no mundo; tudo encontra o seu lugar no plano da existência. E isso não é apenas por falar: é um sentimento genuíno, que de fato mexe com as essências.

15 novembro 2010

Música: Telegraph Road, do Dire Straits

"E a velha e suja trilha virou a Estrada do Telégrafos…"

Lover Over Gold - Dire Straits

Telegraph Road – a mais longa música da banda inglesa Dire Straits, com seus 14 minutos e 15 segundos de duração – é a faixa que abre o álbum Love Over Gold, lançado em meados do ano 1985. Recebendo classificações como "rock sinfônico", "rock progressivo" e outras, Telegraph Road é sem dúvida uma das mais belas composições da banda, manifestando um alto grau de harmonia – no som – e lirismo – na letra –, comparável a Brothers in arms e Tunnel of Love.

A melodia da música apresenta inúmeras variações ao longo de todo o percurso; logo no início, umas suaves notas de teclado são acompanhadas por um dedilhar de violão também terno, culminando em uma espécie de "abertura oficial" – com notas de guitarra características da banda – em que Mark Knopfler começa a sussurrar: "A long time ago, came a man on a track". A partir de então, teclado, guitarra e bateria trabalham juntos, dando lugar a alguns trechos de suavidade e outros de atividade intensa. Bem… só mesmo escutando a música para entender o que eu estou falando.

Dire StraitsMark Knopfler

A letra da faixa conta a história da construção de uma cidade a partir de uma trilha primitiva (a tal Telegraph Road), que mais tarde se transforma em avenida principal e lugar de grande congestionamento de veículos, ao redor da qual grandes instalações – prédios e empresas – vão sendo formadas; até que, muito tempo depois, a cidade se torna grande demais para ela mesma e então entra em colapso. Um trecho que considero muito bonito é o seguinte:

"Then came the mines – then came the ore
Then there was the hard times then there was a war
Telegraph sang a song about the world outside
Telegraph road got so deep and so wide... Like a rolling river..."

Não posso deixar de mencionar aqui o solo de guitarra final que, depois da frase "All the way down the Telegraph Road", preenche os quatro minutos restantes da música, num ritmo alucinado em que se misturam sons agressivos de bateria, guitarra e teclado. É ao longo desse grande solo que os ouvidos mais imaginativos podem escutar os sons de trovão do raio ilustrado na capa do CD.

A prova do sucesso de Telegraph Road é a sua indefectível presença em quase todos os shows da carreira solo de Mark Knopfler, o ex-líder da banda. Até mesmo nos dias contemporâneos, como no caso da turnê de Shangri-la em 2005, Knopfler reproduziu a velha canção do Dire Straits. No mais, a versão ao vivo mais conhecida é a tocada no Alchemy, um dos grandes shows da época da banda, realizado em 1984.

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Abaixo, para quem quiser ouvir, está a música:

25 outubro 2010

Música: Blowin' in the wind, de Bob Dylan

"E ninguém jamais te ensinou como viver na rua, / E agora você descobre que vai ter de se acostumar a isso." (trecho de uma das músicas mais famosas de Bob Dylan, Like a rolling stone)

Freewheelin'

Qualquer indivíduo apreciador da boa música já ouviu, pelo menos uma vez na vida, a música Blowin' in the wind, verdadeiro hino da década de 1960, composta por um dos mais prolíficos artistas norte-americanos dessa época: Bob Dylan. A letra da canção deveria ser elogiada por adjetivos que fossem além de "maravilhosa" e "sensível".

Se você é um apreciador da boa música e ainda não ouviu falar dessa obra-prima da poesia cantada, então é agora que vai conhecê-la. Aqui neste post, trago a tradução da música – que você encontra em qualquer buraco da internet, aliás – e um vídeo do Youtube com o áudio da canção, na versão cover do trio Peter, Paul & Mary.

A melodia instrumental da música é extremamente simples: apenas um dedilhar de violão e um sopro ocasional de gaita. Na verdade, acho que a maioria das músicas de Dylan é assim: privilegia a letra, e não necessariamente a melodia instrumental; mesmo bonita, esta apenas embala tudo.

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"Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo de um homem?
Quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar,
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim e quantas vezes precisará balas de canhão voar,
Até serem para sempre abandonadas?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Sim e quantos anos pode existir uma montanha
Antes que ela seja lavada pelo mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir,
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça,
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Sim e quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Antes que ele possa ver o céu?
Sim e quantas orelhas precisará ter um homem,
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar?
Sim e quantas mortes ele causará até ele perceber
Que muitas pessoas morreram?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento"

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Blowin' in the wind é a primeira faixa do CD Freewheelin' (imagem acima) e ganhou uma fama maior ainda quando foi regravada pelo trio Peter, Paul e Mary. O álbum de Dylan está entre os 1001 Discos para se ouvir antes de morrer.

Abaixo, o áudio-vídeo da música. Não é a versão original. Não a coloquei aqui porque ela é extremamente difícil de achar, ao contrário do que eu pensava. No mais, espero que gostem. É a versão de Peter, Paul & Mary.

19 junho 2010

O som de Oasis: Dig Out Your Soul

Dig Out Your Soul (2009)

Como sempre acontece quando entro de férias, ultimamente estou sem nada para fazer o dia inteiro. Devoro vários sacos de salgadinhos Fandangos por semana, leio livros feito um louco (o que ajuda bastante a espantar o tédio) e saio com a Natália (minha amiga, já citada várias vezes nesse blog); mas, mesmo assim, quando chega algo próximo às cinco horas da tarde, bate aquele sentimento de que nada, seja o que for, vai superar a falta do que fazer.

E eis que hoje, quando o relógio da cozinha bateu as cinco horas da tarde, não agüentei mais ficar olhando para o teto acima da minha cama e aceitei o convite de minha mãe e meu irmão para visitar o shopping center que fica à frente da nossa casa. Melhor que nada, pensei. E não é que o passeio acabou sendo bem proveitoso?

Numa loja bem famosa de departamentos (não vou citar o nome da loja porque, afinal de contas, não estou recebendo nada por isso, mas é bem provável que vocês saibam qual é), encontrei uma prateleira repleta de discos de rock 'n roll por apenas R$ 9,90. De arrepiar. Só esse preço baixo (estampado numa faixa grande e vermelha, como deve ser) já foi o responsável por me levar do departamento de DVDs ao de CDs, onde me dirigi a essa estante em especial.

Vasculhei por ali durante alguns minutos e encontrei várias bandas interessantes (Black Sabbath, AC/DC, Simon & Garfunkel), mas nenhuma oferta despertou tanto o meu interesse quanto o novo CD do Oasis, Dig Out Your Soul (Sony/BMG, 2009). Por R$ 9, 90, por que não? Comprei sem titubear.

Embora eu deteste particularmente alguns integrantes da banda, o Oasis possui um som super-legal que me encantou ainda quando eu tinha 14 anos, com o álbum Be Here Now, então recém-lançado. As músicas deles são realmente bem barulhentas (algo totalmente desaconselhável para alguém como eu, portador de enxaquecas sérias), mas a harmonia do vocal e dos instrumentos faz deles uma excelente banda. (Ecos do refrão D' you know what I mean? Yeah, yeah! ainda ressoam pela minha cabeça de vez em quando.)

Be Here Now Be Here Now (verso)

Neste exato momento, enquanto escrevo esta resenha, escuto o álbum que comprei. Excelente compra – não me arrependi nem um pouco. Toda vez que adquiro um CD novo, ouço as músicas em ordem, até acabar o álbum. Aí, feito isso, ouço em seguida as que se destacaram; depois de escutá-las três ou quatro vezes, passo para as demais, só para escutá-las novamente e fazer um novo julgamento. Acabo gostando de todas.

Dig Out Your Soul é um ótimo álbum; me faz lembrar algo como Foo Fighters no início da carreira. As músicas que destaco em primeiro lugar são: Bag It Up, High Horse Lady e Soldier On.

Abaixo, vai o vídeo-música da High Horse Lady!

03 março 2010

O som de Mark Knopfler

Com músicas extremamente cativantes, o ex-líder da banda Dire Straits fisgou minha atenção nos últimos meses.

Mark Knopfler

Para comemorar a primeira postagem sobre música no Gato Branco em Fuligem de Carvão, vou falar sobre nada mais nada menos que Mark Knopfler (Glasgow, Escócia, 1949- ), ex-líder da banda inglesa Dire Straits, cuja habilidade com a guitarra já lhe rendeu o título de um dos maiores solistas instrumentais do mundo.

Conheço Knopfler desde que conheço Dire Straits – ou seja, desde os meus primeiros anos de vida adolescente. No entanto, só recentemente eu tive a oportunidade de entrar em contato com o seu trabalho solo, quando a imagem de Mark já estava emancipada da banda que lhe deu fama.

Adquirindo uma série de seus álbuns mais famosos (a saber: The Ragpicker’s Dream, Golden Heart, Sailing to Philadelphia, Shangri-la e o mais recente, Get Lucky), eu mergulhei em músicas que se usam de sons celtas, guitarras pesadas, sons folk, flautas, gaitas, ondas de country e pop rock. Tudo isso conjugado no mesmo guitarrista. Incrível, não?

As músicas que mais me chamaram atenção foram: Boom Like That, do álbum Shangri-la; Sailing to Philadelphia, do álbum homônimo; Fare Thee Well Northtumberland, do álbum The Ragpicker’s Dream; e quase todas do CD Get Lucky. Isso sem contar com dezenas de outras que dariam muito trabalho se eu fosse colocá-las todas aqui, escrevendo o nome de cada uma em itálico.

Get Lucky (2009) Shangri-la (2005)

Então, cansado de ouvir as mesmas músicas do seu Media Player? Experimente Mark Knopfler. Sem dúvida, algo de novo será acrescentado em sua vida.