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13 abril 2014

Nos bastidores do Pink Floyd, de Mark Blake

"(…) o rock estava desesperado para ser levado a sério como forma de arte." (p. 200)

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Era uma manhã de sábado quando minha ex-namorada me telefonou e disse que tinha uma notícia capaz de me deixar muito feliz. Sem conseguir deduzir que notícia era essa, pedi que ela rompesse com o suspense e me contasse logo. "Finalmente lançaram uma biografia do Pink Floyd", ela revelou. "Acabei de ver na televisão. Um jornalista conceituado norte-americano publicou um livro em que conta a história da banda desde os primórdios até pouco depois do Division Bell." E ela encerrou a ligação dizendo: "Bom, achei que você gostaria de saber."

Mas é claro que eu gostei de saber. Como grande admirador da banda britânica de Cambridge desde criança (lembro de ouvir meu pai colocando os clássicos Time e Wish You Were Here para tocar em casa, durante bons domingos modorrentos), a notícia de que alguém finalmente havia se dado ao trabalho de contar a história do Pink Floyd me encheu de animação. Há anos reunindo discografia, bootlegs, DVDs e pequenos documentários na internet, eu senti que com o advento daquele livro uma grande parte da minha sede de informações sobre os bastidores da banda seria saciada; havia algo naquela biografia que poderia ser chamado de definitivo.

Sendo assim, eu deveria colocar minhas mãos nela o quanto antes. No Brasil não havia até então um livro completo sobre a história do Pink Floyd, e por isso a perspectiva de entrar em contato com um trabalho profundo como esse era agradável.

Para escrever Nos bastidores do Pink Floyd (Pigs might fly: the inside history of Pink Floyd, 2007) Mark Blake fez um trabalho digno de um bom jornalista documental e realizou entrevistas extensas com os integrantes da banda, com produtores, colegas de trabalho, amigos, namoradas, críticos musicais e até mesmo outros músicos ligados aos rapazes de Cambridge. O resultado é um livro de 450 páginas que esmiúça detalhes da trajetória do Pink Floyd desde as formações iniciais na década de 1960 até os álbuns pós-Waters, passando pelas conturbadas turnês e pelas famosas brigas judiciais. Blake encerra a obra momentos depois da morte de Syd Barrett, em 2006, descrevendo um evento em que o ex-fundador do conjunto é homenageado por amigos e pelos ex-colegas de banda.


Sinopse: Criada em Cambridge, na Inglaterra, Pink Floyd é considerada uma das bandas de rock progressivo mais influentes do mundo. Famosa por suas letras contestadoras e shows bem elaborados, a banda que vendeu mais de 230 milhões de álbuns em todo o mundo também ficou muito conhecida pela desordem e pelo desentendimento dos integrantes, que algumas vezes chegaram a sobrepujar as conquistas. Interessada em desvendar os mistérios que cercam a polêmica história da banda, a Editora Évora, pelo selo Generale, traz ao Brasil Nos Bastidores do Pink Floyd, a mais completa e detalhada biografia deste ícone do rock moderno.


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O início do livro é um verdadeiro convite à atmosfera psicodélica e criativa dos anos 1960, quando teve início a história daquela banda que viria a ser conhecida no mundo todo. "Leitura prazerosa e informativa" é uma boa expressão para qualificar esta biografia. Fãs de Pink Floyd irão encontrar na obra de Blake muitas informações que, de alguma maneira, já são lugares-comuns na história do conjunto, mas que aqui adquirem um tom formal e vêm acompanhadas de detalhes muito interessantes e até então inéditos. Por exemplo, a substituição de Barrett por Gilmour nos palcos – e, depois, na formação oficial da banda – é rica em testemunhos e relatos pessoais, o que nos dá uma compreensão mais ampla da história. Cada membro dá a sua visão sobre os acontecimentos que afetaram a trajetória da banda, e o autor costura esses depoimentos com grande habilidade, construindo uma cronologia perfeita.

Para clarear um pouco os momentos turbulentos do Pink Floyd, Blake chega a citar episódios controversos como, por exemplo, a ira de Roger Waters ao cuspir no rosto de um homem sentado na primeira fileira da plateia, durante a turnê de Animals em 1977, fato que o impulsionou a criar a obra-prima The Wall – amargurado, o álbum é praticamente uma retrospectiva de sua vida. Como não poderia deixar de ser, temos também detalhes acerca da elaboração de The Dark Side of the Moon, divisor de águas na carreira do grupo, e tudo o que levou a banda a começar a se desentender a partir da década de 1970. São constantes as referências às outras bandas da época – como Yes e Beatles – e às revistas que opinavam sobre a performance do Floyd nos estúdios e nos palcos.

Juntando tudo isso, chegamos a uma conclusão óbvia: muito mais do que um amontoado de curiosidades sobre o Pink Floyd, o livro de Blake é um documento extremamente detalhado e lúcido sobre a biografia da banda como um todo – além de conter longos trechos que também lançam luz sobre os passos de cada membro fora da banda, seja nas suas carreiras solo, seja na sua vida pessoal. Destaque para a cobertura que o autor nos fornece acerca de Syd Barrett – após ser demitido do grupo no final da década de 1960, ele esboçou uma carreira solo e viveu uma vida reclusa e enigmática.

Para os fãs que leem o livro, é muito agradável e empolgante acompanhar a ascensão do Pink Floyd, que começou tocando em clubes noturnos locais regados a ácido lisérgico e, depois, em sua fase madura, lotava estádios e produzia shows pirotécnicos dignos de deixar qualquer cético abalado – gerando, claro, milhões de dólares no processo. Talvez mais empolgante ainda é acompanhar, passo a passo, a produção e a elaboração de todos os CDs de estúdio da banda, incluindo aí o mítico encontro do Floyd com os Beatles durante a gravação de The Piper at the Gates of Dawn, no lendário Abbey Road.

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A biografia tem o grande mérito de não se perder em detalhes técnicos enfadonhos sobre o mundo corporativo da música e, assim, consegue alcançar uma escrita leve, embora densa pela quantidade de informações que traz consigo. De fato, o livro parece priorizar mais as questões humanas da vida pessoal de cada membro e da experiência deles enquanto quarteto de rock. Tanto é que grande parte da primeira metade da obra conta com os testemunhos de Libby Gausden, namorada de Barrett na época em que o Pink Floyd era ainda uma ideia difusa. Valendo-se de uma visão em retrospecto quase nostálgica, Libby revela um pouco da atmosfera dos anos 1960 e conta casos específicos envolvendo o ex-namorado, além de detalhes da personalidade de Syd.

É fácil perceber como o grupo começou a criar tensão depois do sucesso de The Dark Side of the Moon. Como diria Nick Mason, a popularidade do álbum clássico da banda fez todo aquele dinheiro e toda aquela fama surgirem de repente – e os rapazes de Cambridge não sabiam muito bem como lidar com isso, o que acabou levando todos a disputarem mais acirradamente seu espaço na banda. De modo que, além de descrever a produção dos álbuns de estúdio do Floyd nos anos 1980, a segunda metade da biografia aborda detalhes do que seria a principal preocupação do grupo naquela época: questões judiciais envolvendo os direitos de cada membro, sobretudo de David Gilmour e Roger Waters. O clima de fim de festa nessa altura do livro não passa despercebido: é como se, realmente, o Pink Floyd devesse admitir que o melhor que tinham a oferecer já havia ficado para trás há muito tempo.

A escrita do autor chega a ser quase neutra ao relatar polêmicas e acontecimentos turbulentos, o que dá ao livro um caráter bem-vindo de seriedade. Rico em informações de todo tipo, fiel ao seu objetivo de detalhar o surgimento e a trajetória da banda, Nos bastidores do Pink Floyd é leitura obrigatória para os fãs de carteirinha do conjunto.

02 dezembro 2012

Globalização, democracia e terrorismo, de Eric Hobsbawm

"Teremos de encontrar outras maneiras de organizar o mundo globalizado do século XXI" (p. 85)

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Quem circula com frequência pelas grandes livrarias sabe que basta um autor relativamente conhecido vir a falecer para que boa parte da sua obra fique estampada nas prateleiras mais visíveis do estabelecimento. Lembro que, quando José Saramago deixou este mundo, em junho de 2010, as estantes da livraria que costumo visitar ficaram apinhadas de livros do escritor Nobel português; com Michael Crichton (em 2006) não foi diferente, e com John Updike (em 2009) aconteceu a mesma coisa. Geralmente esta avalanche de títulos alardeados após a morte do autor vem acompanhada de promoções chamativas: Caim com 10% de desconto, Jurassic Park em edição de bolso, boxes de luxo da série Rabbit.

Embora esta prática tenha tudo de mercantilista em suas vantagens publicitárias para a loja, deve-se admitir que ela também possui seu lado bom. Chega a ser bastante óbvio o fato de que podemos conhecer grandes obras quando um grande escritor (que não conhecíamos antes) vem parar diante dos nossos olhos. Eric Hobsbawm, por exemplo, faleceu em 1º de outubro de 2012; no dia seguinte, voltando da faculdade, passei na livraria e vi uma série de suas obras clássicas enfileiradas na primeira prateleira depois das portas de entrada. Intimado a prestar minhas condolências a todos aqueles livros órfãos, parei para folhear alguns ao acaso. Um dos que peguei nas mãos foi Globalização, democracia e terrorismo (Globalisation, democracy and terrorism, 2007); cativou-me logo pela sua simplicidade, clareza e relevância de conteúdo. E, como o livro não era tão grande assim – na verdade, possui apenas 182 páginas –, foi ele que escolhi para conhecer esse historiador tão elogiado ao redor do mundo.


Sinopse: Nos 10 textos que compõem este livro, o renomado historiador Eric Hobsbawm, autor do clássico "Era dos Extremos", analisa a situação mundial no início do novo milênio e trata dos problemas mais agudos que nos confrontam. Nesta esclarecedora aula de História Contemporânea, Hobsbawm traça um painel do cenário político internacional ao discorrer sobre temas como guerra e paz, imperialismo, nacionalismo e hegemonia, ordem pública e terrorismo, mercado e democracia, o poder da mídia e até futebol.


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Reflexões sobre os conflitos civis no Oriente Médio são mencionados durante boa parte da obra


Globalização, democracia e terrorismo é, na realidade, uma coletânea de 10 palestras que Eric Hobsbawm proferiu ao redor do mundo. Nelas, o historiador aborda uma série de questões políticas, sociais e econômicas que estão em evidência no nosso mundo contemporâneo. Com a grande autoridade de que dispõe, ele esmiúça conflitos militares no Leste Europeu e no Oriente Médio, fala sobre a emancipação social das mulheres com relação aos homens, discorre sobre a hegemonia político-ideológica que as grandes potências exercem sobre os demais países, conta um pouco de História Clássica, grupos separatistas (como o IRA e o ETA), violência nos grandes centros urbanos e as perspectivas da democracia nessa virada de século. Em suma: este livro é um verdadeiro apanhado geral sobre o que anda acontecendo no planeta nos últimos tempos – uma aula de história contemporânea.

Talvez pelo fato de serem palestras, os capítulos do livro apresentam uma clareza de ideias muito motivadora para o leitor. Sem circunvoluções enfadonhas, sem prolixidade, sem jargões científicos, Hobsbawm tece comentários muito lúcidos para seus ouvintes, e a transformação de sua fala para um texto escrito resultou em uma literatura muito inteligível e coerente. O capítulo 6, As perspectivas da democracia, por exemplo, é especialmente interessante porque trata de um assunto bastante relevante de forma profunda e clara ao mesmo tempo.

Muito interessantes também são as considerações que o autor faz a respeito do futebol enquanto movimento de massas nacionalista e geradora de violência urbana, no capítulo 5. Ou a discussão que ele levanta quando menciona os principais grupos separatistas europeus e a relação que estes estabelecem com a queda dos governos estáveis e auto-reguladores. Sob diversos aspectos, o que Hobsbawm faz é girar o prisma da realidade política e social do mundo e mostrar as suas outras facetas, que chocam e desestruturam nossas mais antigas convicções.


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No livro, Hobsbawm levanta discussões que envolvem grupos separatistas europeus, como o IRA e o ETA


Em vida, Eric Hobsbawm com frequência era acusado de sustentar um posicionamento ideológico irracional nos dias de hoje: o comunismo. Em uma reportagem publicada pela revista Veja (leia aqui), o historiador é literalmente chamado de "idiota moral" pelo jornalista, que, sem escrúpulos, afirma que este intelectual inglês manchou toda a sua obra ao levantar a bandeira stalinista e pregar o regime comunista como ideal. O que convém notar é que, se ele fosse o cego ideológico que a revista afirma que era, Hobsbawm não teria reconhecido que os governos comunistas haviam errado totalmente o caminho que Marx orientara.

(Não sou comunista, não sou marxista, mas gostaria de dizer que todas as críticas feitas a Eric Hobsbawm são aplicáveis a personalidades de direita, também. "Mesmo diante da execução sumária e tortura de milhões, continuou se furtando a condenar um regime atroz" é um exemplo de crítica aplicável a ambos os lados.)

Por fim: se o leitor quer uma dose rápida, mas riquíssima, de aulas sobre História Contemporânea, convido-o a ter nas mãos este pequeno livro que, longe de pregar qualquer movimento ideológico, mostra como o nosso mundo é complexo e admite várias vertentes – várias suposições e vários pontos de vista.


"Um prognóstico tentativo: no século XXI, as guerras provavelmente não serão tão mortíferas quanto foram no século XX. Mas a violência armada, gerando sofrimentos e perdas desproporcionais, persistirá, onipresente e endêmica – ocasionalmente epidêmica – em grande parte do mundo. A perspectiva de um século de paz é remota." (p. 35)

06 agosto 2012

O Elogio ao Ócio, de Bertrand Russell

"As desgraças públicas e privadas só podem ser dominadas por meio da interação entre a vontade e a inteligência." (p. 46)

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Se debruçar sobre os artigos e ensaios que envolvem a Teoria do Ócio sempre é uma atividade muito enriquecedora e empolgante, na minha opinião. Primeiramente porque o ócio, tal como a maioria dos estudiosos no assunto o formulam, é uma das necessidades mais intrínsecas ao ser humano – não para mantê-lo vivo biologicamente falando, mas para preservar sua saúde mental e mesmo corporal. Em segundo lugar, estudá-los é empolgante porque uma enorme parte dos teóricos do ócio escreve de forma tão agradável, tão limpa e direta, que entrar em contato com eles é sempre muito bem-vindo.

Minhas atividades de pesquisa na Universidade de Fortaleza fazem referência ao estudo da Teoria do Ócio no mundo contemporâneo, dentro de um contexto que envolve Lazer, Trabalho e Tempo Livre. Como dá para imaginar, é um campo de estudo muito próximo da realidade fora dos muros do campus, justamente porque tende a analisar tudo aquilo que fazemos quando estamos inseridos no cotidiano comum, trabalhando ou curtindo nosso tempo livre.

Com o intuito de aprimorar um pouco mais o conhecimento que tenho a respeito do Ócio, aluguei da biblioteca da Universidade o livro O Elogio ao Ócio (In Praise of Idleness, 1935), do escritor Nobel de Literatura Bertrand Russell, um inglês muito culto que, em sua época, tinha autoridade para falar de quase todos os campos que envolviam as atividades humanas.


Sinopse: O filósofo Bertrand Russell analisa os problemas sociais do século XX nos ensaios que compõem este livro, cujo propósito é o de lutar por um mundo em que todos possam se dedicar a atividades agradáveis e compensadoras, usando seu tempo livre não só para se divertir como também para ampliar seu conhecimento e capacidade de reflexão.


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O Elogio ao Ócio é um livro que pretende levantar discussões sobre vários pontos sociais e científicos presentes na sociedade da época em que ele foi escrito. Na verdade, é um conjunto de 15 ensaios, e seus temas variam desde a discussão sobre a origem do fascismo até a leve reflexão sobre a ameaça dos insetos para os seres humanos. Há textos longos e textos muito pequenos, todos escritos de forma limpa, sem excessos teóricos e sem intenções científicas muito profundas. Acima de tudo, trata-se da visão de mundo que Bertrand Russell adquiriu ao longo de sua vida e que resolveu compartilhar com os seus leitores – acreditando, não sem razão, que estava contribuindo para a construção de um mundo melhor.

Se eu tivesse que resumir a ideia central do livro de Russell em poucas palavras, diria que ele tem como objetivo mostrar a importância da reflexão antes do movimento: a importância que existe no ato de ponderar antecipadamente sobre as nossas atitudes e, assim, pensar a longo prazo, atendendo melhor às necessidades coletivas. Ele procura mostrar basicamente como conseguimos chegar a um ponto em que aparentemente não raciocinamos mais sobre o que fazemos, especialmente no nível econômico e político: estamos apenas seguindo a linha de algo que foi começado há muito tempo e que não funciona mais hoje em dia.


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Mas o que acontecerá quando se chegar à situação em que o conforto seja acessível a todos sem a necessidade de tantas horas de trabalho? (…) Essa ideia choca as pessoas abastadas, que estão convencidas de que os pobres não saberiam o que fazer com tanto lazer (p. 30)


Os dois primeiros ensaios da obra foram os que mais me chamaram a atenção, talvez porque sejam os que mais têm a ver com o que pesquiso atualmente. São eles O Elogio ao Ócio (que dá título ao livro) e O Conhecimento "Inútil". No primeiro, Russell elabora uma conexão prática entre o tempo de trabalho e o tempo livre, no qual, em uma sociedade ideal, as pessoas tratariam de fazer florescer suas inclinações para a arte e a cultura de um modo mais genuíno. Segundo o autor, numa sociedade que reduz a jornada de trabalho para quatro horas diárias (e ele diz que hoje é possível reduzi-la para tal), as pessoas não chegariam em casa exaustas do labor cotidiano, e, assim, estariam mais propensas a realizar atividades nas quais sentissem pleno prazer, em vez de serem meras telespectadoras passivas da televisão. Essas (e muitas outras) reflexões são apresentadas no texto-título do livro.

Em O Conhecimento "Inútil", por sua vez, Russell critica o senso de educação utilitária que hoje permeia uma parcela gigantesca das escolas e até mesmo das universidades do mundo. Segundo ele, as crianças geralmente são condicionadas a aprender e a valorizar somente aquele conhecimento técnico que, no futuro, será útil em sua escalada social, garantindo-lhes um emprego que, de tão especializado, destaca-as das demais. Sem espaço para descobrir outras maravilhas do mundo que não somente as "úteis", as crianças não estão sendo encorajadas a cultivar um senso exploratório de pesquisa, e isso as leva na maioria dos casos a aceitar o que os professores lhe impõem como a única verdade que interessa.


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Eu acho que se trabalha demais no mundo de hoje, que a crença nas virtudes do trabalho produz males sem conta e que nos modernos países industriais é preciso lutar por algo totalmente diferente do que sempre se apregoou. (p. 23)


E assim os demais ensaios vão sendo apresentados: sempre muito críticos, sempre apontando falhas na estrutura social e econômica sem rodeios, sempre muito bem escritos e articulados – o que rendeu ao autor popularidade não somente na Inglaterra e na Europa, mas em várias partes do globo, como Ásia e África. Embora Russell apresente aspectos de apologia a uma sociedade que beira a utopia em sua perfeição funcional, suas ponderações e sugestões devem ser encaradas como práticas, como possibilidades concretas, que não se encontram no plano do impossível.

O Elogio ao Ócio é, portanto, um livro multi-temático, que discorre não somente sobre as experiências de ócio e saúde mental, mas também sobre quase todas as vertentes da produção humana. Escrevendo com leveza e grande autoridade sobre tudo o que critica, Bertrand Russell firma-se como um dos grandes intelectuais políticos que existiram no século XX, atento às demandas de uma sociedade que, naquela época, seguia com rigor os preceitos do imperialismo capitalista moderno. Leitura recomendada para quem deseja lançar um olhar eclético sobre os problemas do que mais tarde viria a ser a base da chamada pós-modernidade.

Bertrand Russell foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1950, em reconhecimento à excelente desenvoltura com que lidava com diferentes campos do conhecimento humano.

18 março 2012

A questão do desestímulo à literatura nas escolas

Toda semana da minha vida parece conter em si um episódio que me faz pensar muito sobre como as coisas andam na nossa sociedade. Geralmente são acontecimentos simples, até meio bestas, irrisórios, mas que conseguem me lançar em uma verdadeira consideração sobre alguns aspectos cotidianos. Às vezes estou até distraído; mas quando esses eventos ocorrem, não consigo mais pensar em outra coisa senão no que eles despertaram em mim.

Ontem de manhã, participei de uma aula sobre pesquisa em banco de dados virtual na universidade. Essa é uma aula que, dentre outras coisas, nos ensina a acessar e usar os bancos de informação existentes no meio acadêmico relacionado às mais diversas áreas. Alguns domínios, como o Academic Search Elite, por exemplo, permitem ao aluno da universidade acessar artigos e livros científicos internacionais, publicados em várias revistas e periódicos de outros países. Aquele que domina a língua inglesa tem, praticamente, um mundo de conhecimento à sua frente.


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Quem tem medo de literatura clássica?


Mais ou menos no final da aula, a instrutora (uma jovem e inteligente bibliotecária) admitiu que, como ainda tínhamos algum tempo livre, queria nos mostrar "uma coisa interessante". Acessando o domínio do Portal da Pesquisa, ela começou a listar na nossa frente dezenas de títulos nacionais do campo da literatura clássica: "E isso aqui", ela disse, rolando a tela do computador em que aparecia uma miríade de links, "isso aqui nos permite ter acesso a grandes obras nacionais, aquelas que vocês leram no Ensino Médio, como Iracema, Dom Casmurro e O cortiço". Vi nomes como Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e João do Rio.

Atrás de mim, uma menina resmungou: "Argh!"

Não tive como deixar de pensar que isso resume como a maioria das nossas escolas, ao invés de incentivarem o gosto pela leitura nacional consagrada, só tornam as coisas mais difíceis. Entendo que, quando os tempos mudam, mudam-se os gostos, e é no mínimo ingenuidade querer que os jovens de hoje apreciem e se deleitem com livros que foram escritos há um século, obras românticas que possuem linguagem arrastada, floreada e de difícil compreensão. Não é a idéia certa querer que louvem Machado de Assis ou José de Alencar. Não.

O problema é que nossos colégios de Ensino Médio (ou a maioria, devo frisar, para não cair em generalizações) não estimulam da maneira como deveriam a leitura e, principalmente, o respeito pelos clássicos brasileiros. Eu mesmo vim de um colégio do Ensino Médio cuja única preocupação era resumir as obras em estudos dirigidos e em simulados que sempre castravam nove décimos do valor artístico do livro. Pelo que soube mais tarde, através de colegas que estudaram em outras instituições, a realidade é a mesma nas mais diversas escolas do Brasil: transforma-se grande obras nacionais em apostilas de estudo, que você não deve ler por prazer, mas decorando cada capítulo como se fosse uma questão de vestibular em potencial.


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Edição de Iracema e O cortiço: por que tanta aversão por parte dos jovens?


Como eu disse, a relação dos jovens com os clássicos deve estar para além do gosto pessoal. É o que eu acho. Não penso que os adolescentes brasileiros do século XXI devam idolatrar Castro Alves, por exemplo, ou Visconde de Taunay. Mas eles devem, sim, entender a importância desses autores para a construção da nossa literatura – e da nossa identidade, conseqüentemente. E o respeito aos grandes clássicos é o mínimo que devemos exigir.

O que acontece é que a maioria dos professores não explica a importância do livro, seu contexto histórico, quando foi escrito, por quem foi escrito e, principalmente, com que finalidade foi escrito. A única coisa que dizem é: "Leia e estude, porque isso é questão de vestibular". Às vezes, destilam a biografia do autor de maneira sistemática e seca, transformando-a em dados a memorizar. Não há uma pessoa sequer que se sinta à vontade com isso. Por que reclamar dos jovens, se são as escolas que criam essa lógica, na maioria das vezes?

Aí aparece um suposto entendido do assunto e coloca uma pergunta na avaliação do tipo: "O que Machado de Assis quis dizer com 'olhos de cigana oblíqua e dissimulada'"? A resposta certa, aquela que deveria ser estimulada, é: nada que possa ser resumido em um item de questão objetiva. Mas quem vai se atrever a educar nossos alunos a partir desse princípio?

06 novembro 2011

Ciência e poesia, lado a lado

A verdadeira ciência é aquela que fala não do que os homens fazem da natureza, mas de como eles se relacionam com ela.

O ócio é uma coisa maravilhosa. Ultimamente venho pensando em algumas coisas que, sem dúvida, merecem postagens aqui no Gato Branco em Fuligem de Carvão. É fato que eu estou começando a achar interessante a idéia de usar este espaço não só para publicar minhas impressões sobre os livros que leio, mas, também, para expor o que eu penso sobre determinados assuntos de interesse público. A propósito, algumas postagens dessa natureza crítico-reflexiva foram extremamente bem recebidas pelos meus leitores, como é o caso de Ônibus 174, A tendência do uso de aspas em diálogos e A questão da tecnologia nas escolas, todas muito visitadas e comentadas pelas pessoas que aportam ao acaso por aqui.

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É curioso. Nessa semana meu pai comprou o livro Deus, um delírio, best-seller escrito pelo ateu Richard Dawkins, famoso pelos seus ataques impiedosos às instituições religiosas em geral. E, embora eu esteja pensando muito sobre o debate eterno entre ateus e religiosos fanáticos (e sobre a importância da religião nas diversas áreas do ser humano), hoje tive vontade de escrever sobre outra coisa totalmente diferente. Algo que me chamou a atenção durante a leitura do livro Os devaneios do caminhante solitário, de Jean-Jacques Rousseau. É uma coisa que não tem nada a ver com religião ou com a falta dela, a propósito.

Quem já leu mais de um livro científico escrito no século XVIII pode ter percebido uma coisa curiosa (e interessantíssima) que eu só percebi muito recentemente, através da leitura da já mencionada obra de Rousseau. De maneira sucinta, é isto: naquela época os cientistas misturavam arte e ciência em seus escritos de uma forma tão maciça que se torna impossível dissociá-las. A pessoa que já leu as primeiras partes de O discurso do método, de Descartes, por exemplo, entende o que eu estou querendo dizer. Ou mesmo quem já leu algum manuscrito publicado por Isaac Newton.


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Frontispício de uma obra de Descartes


O que esses livros científicos dos séculos passados têm em comum? Simples: são tratados que dissecam a natureza, mas tratam, fundamentalmente, da relação pessoal entre o Homem e a Natureza. Qualquer leitura cuidadosa desses textos revela isso de modo evidente, e essa característica foi algo que se perdeu no seio da tradição científica. Hoje, qualquer estudo que seja dotado de um valor humano mais profundo e pessoal é considerado de pouco valor científico, porque não atende às exigências de impessoalidade promovidas pelo positivismo de tempos idos.

Para se ter uma idéia, os discursos de Descartes e Newton (por exemplo) não se referem a discursos científicos, mas, antes, a tratados filosóficos. O que as pessoas hoje entendem por ciências exatas era, naquele tempo, cunhado por "meditações", "devaneios" e outras palavras que sugerem pensamento reflexivo emocional, e não meramente racional. O que Rousseau mais fez em seus escritos políticos foi desnudar a condição humana a partir do seu ponto de vista, que ele não cansava de frisar. Descartes, hoje tido como um dos ilustres senhores do pensamento analítico, escreveu no início da Quarta Parte de seu Discurso do método a mais bela tentativa de se livrar dos preconceitos que invadiam sua mente.

Esses autores, diferentemente do que o senso-comum hoje imagina, não se limitavam apenas a elucubrações lógicas e deduções analíticas baseadas em números. Eles tinham um profundo interesse em relacionar seus estudos com a sua visão pessoal de mundo, partindo para o lado emocional mesmo. Basta lembrar que, com sua premissa de dividir o pensamento racional no maior número de partes possíveis, Descartes provou a existência de Deus, que era uma grande paixão sua.


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Um dos primeiros exemplares de Principia, de Newton. Observe o caráter ambivalente da obra trazido no título.


Os estudos científicos daquela época se confundiam mesmo com poesia. Deve ser por isso que sinto um prazer especial em lê-los. Muitos parágrafos dos escritos de Newton ou Rousseau são capazes de fazer inveja aos mais prolíficos romancistas e poetas. Na época em que esses autores vingaram, havia um certo deleite em mostrar o lado artístico da Ciência. Hoje, em prol de um saber mais neutro e definitivo, isso foi posto de lado. Algumas universidades chegaram ao ponto de desencorajar os pesquisadores a utilizarem os verbos em primeira pessoa, tornando as coisas o mais impessoal possível. Não que isso seja algo condenável. Mas é preciso saber alargar os conceitos de Ciência e abrir as possibilidades para estudos que necessitam de um embasamento mais pessoal.

Citei Descartes, Newton e Rousseau por serem os expoentes máximos disso que eu chamo de ciência poética. Se você nunca leu nada desses autores, sugiro que vá atrás de uma obra de pelo menos um deles. Você vai se surpreender ao enxergar não somente deduções analíticas e suposições baseadas na lógica, mas o mais puro pensamento meditativo e filosófico – coisa de que sinto falta nos escritos científicos de hoje.


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A associação da imagem destes pensadores com os números faz supor que eles se preocupavam apenas com a Lógica.


A seguir, para finalizar, deixo com vocês alguns trechos extraídos de O discurso do método, de René Descartes. São trechos bonitos que poderiam figurar em qualquer livro nas estantes de literatura.

"(...) a diversidade de nossas opiniões não se origina do fato de serem alguns mais racionais que outros, mas apenas de dirigirmos nossos pensamentos por caminhos diferentes e não considerarmos as mesmas coisas. Pois é insuficiente ter o espírito bom, o mais importante é aplicá-lo bem. As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam." (p. 1)

" (…) percebi que, ao mesmo tempo que eu queria pensar que tudo era falso, fazia-se necessário que eu, que pensava, fosse alguma coisa. E, ao notar que esta verdade "penso, logo existo" era tão sólida e tão correta que as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam capazes de lhe causar abalo, julguei que podia considerá-la, sem escrúpulo algum, o primeiro princípio da filosofia que eu procurava." (p. 12)

"Ademais, não pretendo falar aqui a respeito dos progressos que no futuro espero fazer nas ciências, nem me comprometer em relação ao público com qualquer promessa que eu não esteja seguro de cumprir: mas direi unicamente que decidi não empregar o tempo de vida que me resta em outra coisa que não seja tentar adquirir algum conhecimento da natureza, que seja de tal ordem que dele se possam extrair normas mais seguras do que as adotadas até agora." (p. 27)

08 maio 2011

Skinner e a ciência do comportamento humano

"O comportamento é a base de todos os fenômenos humanos."

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As pessoas que me conhecem há muito tempo sabem que, quando estou em período de aulas (ou seja, de fevereiro a junho e de agosto a novembro), eu não tenho a menor vontade de ler os livros de arte – em outras palavras, a literatura propriamente dita. Nessa época de trabalhos exigentes e provas que abarcam todo o conteúdo dado no semestre, não me sinto propenso a dedicar muitas horas do dia à leitura de entretenimento.

Mas, como adoro livros, não posso deixar de ir religiosamente à minha livraria predileta quase todos os dias. O que é doloroso é ver aquele mundo de livros prazerosos e não poder ler nenhum, pela mera falta de tempo. Então, imagino, o jeito é dar uma olhada nos livros técnicos; assim eu não fico com a consciência pesada por estar simplesmente me divertindo, e não estudando.

Então, hoje, entrei na livraria e fui direto à ala dos manuais de Psicologia. Para quem ainda não sabe, embora eu tenha muito interesse pelos livros técnicos, raramente dou uma olhada no que as editoras estão lançando, a não ser que um professor da minha estima comente algo sobre um novo compêndio ou sobre um novo teórico que merece ser lido. Se não for por isso, eu realmente não me sinto motivado a ir até aquele recôndito escondido das prateleiras de Psicologia.

Mas, afinal, vamos pôr fim a esse blablablá todo e ir direto ao assunto deste post, que, espero, seja interessante mesmo para aqueles que não estudam psicologia.


B.F. Skinner

B. F. Skinner (1904-1990), principal cientista do comportamento humano


Voltando à livraria: eu estava passando os olhos pela estante e uma coisa me chamou atenção. Na verdade, a ausência de uma coisa. Eu não conseguia encontrar livros que abordassem a Análise do Comportamento, ou mesmo qualquer coisa que se aproximasse do behaviorismo. A Análise Comportamental (sustentada pela filosofia behaviorista) é uma das três correntes teóricas básicas da psicologia; um dos três pilares que sustentam todo o edifício teórico do que foi estudado até então em psicologia. As outras duas correntes, obviamente não menos importantes, são a psicanálise (iniciada por Sigmund Freud) e o humanismo fenomenológico. A partir dessas três, muitas sub-vertentes foram fundadas, em diferentes  épocas e lugares do planeta.

Se uma pessoa que ingressa na psicologia tem como preceito básico a noção de que essa ciência estuda, fundamentalmente, a mente humana, sem dúvida ela ficará extremamente surpresa ao se deparar com a Análise do Comportamento. Por quê? Porque, diferentemente das duas outras correntes, a A.C. não se propõe a considerar a psique humana. E, já que estamos falando de teorias psicológicas, isso pode parecer um absurdo.

No entanto, principalmente nos Estados Unidos da América, a A.C. é vastamente propagada e aceita nos dias de hoje. Talvez porque seus principais precursores, Watson e Skinner, eram norte-americanos. De qualquer forma, o fato é que, como abordagem psicológica, a A.C. faz tanto "sucesso" como qualquer outra das duas, psicanálise e humanismo fenomenológico. Além de muito propagada, ela não deixa de ser, também, bastante polêmica.


rato

Os ratos são os animais comumente utilizados nas universidades, para o estudo do comportamento. Não são poucas as polêmicas que surgem a partir da questão ética da utilização desses animais em laboratório


De um modo geral, desde Skinner, o que a A.C. defende é a idéia de que são dois os tipos de comportamento que apresentamos. O primeiro, comportamento reflexo ou respondente, abarca todas as nossas respostas involuntárias ao ambiente: dilatação da pupila no escuro, salivação diante de comida, sudorese depois de exercícios etc. É, segundo um professor meu, o kit básico evolutivo para a nossa sobrevivência neste planeta.

O outro tipo, o comportamento operante, é constituído por todos os nossos atos e gestos que foram "aprendidos" segundo contingências de reforço e punição. Exemplos:

Se eu percebo que várias garotas bonitas estão interessadas em mim depois que comecei a fazer uma bateria de exercícios na academia, é provável que eu continue freqüentando esse espaço e exercitando meus músculos. Essa relação atende pelo nome de "reforçador positivo"; "positivo" porque um estímulo reforçador (as garotas) foi acrescentado ao ambiente como conseqüência do meu comportamento de fazer exercícios. (Não consigo imaginar um exemplo mais bobo que esse.)

Se eu percebo que beber 2 litros de água por dia está ajudando a combater meu cálculo renal, então, mais uma vez, é provável que eu continue emitindo esse comportamento nos dias subseqüentes. Aí temos uma relação de "reforço negativo"; "negativo" porque um estímulo aversivo (cálculo renal) está sendo subtraído do ambiente com a emissão do meu comportamento de beber água.


pombos

Skinner usava pombos em seus experimentos: pombos também têm superstições


Essa exposição teórica brevíssima tem o objetivo de mostrar quão categórica e disciplinar é a Análise do Comportamento proposta por B. F. Skinner. Objetividade e rigor científico, como todos sabem, são os ideais básicos de toda teoria do mundo acadêmico. E o problema está justamente aí. A proximidade com esse universo científico rigoroso e observável é o que faz a A.C. receber tantas críticas, já que a psicologia, como ciência que estuda a psique humana, defende a idéia da subjetividade e da impossibilidade de universalizar conceitos de modo lógico.

Justamente por esse motivo, o estudo analítico do comportamento humano tem recebido críticas fervorosas de grande parte da comunidade científica de psicologia; "psicologia newtoniana mecanicista" e "psicologia biológica universalizante" são os principais xingamentos. Acredito que, se os críticos entendessem que a A. C. é honesta a ponto de admitir que não estuda a mente humana porque a considera subjetiva e individual demais, aí talvez essas críticas não fossem feitas. O objetivo da A. C. não é universalizar conceitos; é, antes, estudar conceitos que são universais por si sós – os fenômenos do comportamento humano.


ciencia e comportamento humano

Livro que comprei. Capa enigmática, convenhamos. Preço salgado: R$ 78,00


Bem… o post acabou saindo muito diferente do que eu pretendia no início. Meu objetivo era falar alguma coisa pessoal sobre o mais famoso cientista do comportamento, B. F. Skinner, e sobre o livro dele que encontrei hoje na livraria, em meio a ensaios e tratados de Freud e Carl Rogers. O livro se chama Ciência e comportamento humano e é considerado o manual básico da Análise do Comportamento, já que todos os principais conceitos da teoria são abordados e discutidos pelo próprio criador deles.

Eu tenho afeição pela A.C. desde que fiz meu trabalho com ratos de laboratório e pude, enfim, perceber como o comportamento dos seres vivos (de um modo geral) é universal. Mas isto já é assunto para outro post.