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20 novembro 2011

Uma música, um estado de espírito; várias músicas, uma vida

Aceitaria de bom grado viver sem matéria, mas não sem música.

musica musica (1)

Há quem diga que 90% do nosso gosto musical não é construído através das nossas experiências próprias, mas a partir das tendências que herdamos dos pais, tios, avós, e assim por diante. Como se recebêssemos uma espécie de carga cultural naturalmente transmitida por nossos parentes mais diretos, passamos a admirar as músicas e composições das quais aprendemos a gostar desde muito cedo. Se a tradição de uma família (seus costumes, seus rituais, sua filosofia de vida) é ensinada a uma criança desde a sua mais tenra idade, não há porque não incluir o gosto musical nessa bagagem de elementos perpassados pelas gerações.

Cresci ouvindo músicas clássicas de rock, principalmente as músicas que faziam sucesso nas décadas de 1960 e 1970, incluindo bandas como Dire Straits, Pink Floyd, Creedence Clearwater Revival, The Beatles, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, Bee Gees, entre outros. Lembro muitíssimo bem dos finais-de-semana passados na casa da minha avó, para onde convergiam todos os meus tios e tias, que colocavam na vitrola músicas de pop rock para a animação geral. A música da qual me recordo com mais nitidez é Sultans of Swing, do Dire Straits, cuja melodia hoje me traz sentimentos nostálgicos do mais alto grau.


musica (2)


Esse repertório musical montou as bases do que hoje eu chamo de meu gosto por músicas. Aprofundei meus conhecimentos sobre as bandas que ouvia na infância/adolescência, chegando ao ponto de ser mais bem informado sobre elas que os próprios tios e tias que as apresentaram para mim. Enquanto meu pai ainda está na fase Dark Side of the Moon e The Wall, do Pink Floyd, eu já tive há séculos a curiosidade de conhecer toda a discografia da banda – e, nesse processo, encontrei músicas que correspondem a verdadeiros tesouros, como algumas que se encontram nos álbuns Meddle e Animals.

De um modo geral, acredito que as músicas – todas elas, sem distinção de gênero – sejam tão importantes para a vida de uma pessoa quanto o estudo ou a presença de amigos. Este meu pensamento sempre é mal-interpretado, mas apenas porque certas pessoas não compreendem que, quando falo de música, não me refiro a nenhuma específica, mas ao contexto musical, à cultura musical mais abrangente possível. Estou convicto de que alguém que não sabe apreciar músicas – conheço muitos indivíduos assim – não possui um controle estável sobre as próprias emoções. Saber admirar uma boa música, assim como saber admirar um bom quadro, ou um bom livro, está intimamente relacionado ao domínio que eu tenho no âmbito das emoções.


Ferrari


É bem interessante lembrar do valor terapêutico das músicas. Muitas pessoas enxergam apenas diversão e entretenimento onde há, também, "massagem espiritual": as músicas não fornecem contexto apenas para entreter as pessoas, mas, principalmente, para fazê-las ter um contato melhor com a realidade na qual estão inseridas. Nunca me esqueço do dia em que, melancólico pela reprovação em um vestibular, eu disse a uma amiga: "Quero chegar em casa e ouvir música", ao passo que ela retrucou: "Como você consegue?" Minha amiga não percebeu que eu de fato não tinha a menor intenção de me divertir, mas de relaxar, de tentar colocar as coisas de volta nos eixos – com música.

Acredito muito na idéia de que nossa vida é formada por aquilo que nós gostamos de ouvir. Digamos que boa parte da nossa vida só faz sentido quando ela é embalada pela "trilha sonora" que escolhemos ter. Afinal de contas, nosso gosto musical define uma grande fatia do arsenal com o qual nos confrontamos com a realidade. Música é refúgio, é apego à natureza, à arte, é fuga do cotidiano.

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Deixo a seguir o áudio de uma das músicas mais belas que já tive o prazer de ouvir, de um dos melhores álbuns de Mark Knopfler, um dos melhores músicos da atualidade. Knopfler foi o líder guitarrista do Dire Straits, conjunto de rock lendário nos anos 70/80, e começou a sua carreira solo algum tempo depois do término da existência da banda.

A música se chama Before gas and TV e está no álbum Get Lucky, lançado em meados de 2009. Este é um dos poucos discos que escuto do início ao fim sem pular uma única faixa.

Vida longa aos adoradores da arte musical!

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25 outubro 2010

Música: Blowin' in the wind, de Bob Dylan

"E ninguém jamais te ensinou como viver na rua, / E agora você descobre que vai ter de se acostumar a isso." (trecho de uma das músicas mais famosas de Bob Dylan, Like a rolling stone)

Freewheelin'

Qualquer indivíduo apreciador da boa música já ouviu, pelo menos uma vez na vida, a música Blowin' in the wind, verdadeiro hino da década de 1960, composta por um dos mais prolíficos artistas norte-americanos dessa época: Bob Dylan. A letra da canção deveria ser elogiada por adjetivos que fossem além de "maravilhosa" e "sensível".

Se você é um apreciador da boa música e ainda não ouviu falar dessa obra-prima da poesia cantada, então é agora que vai conhecê-la. Aqui neste post, trago a tradução da música – que você encontra em qualquer buraco da internet, aliás – e um vídeo do Youtube com o áudio da canção, na versão cover do trio Peter, Paul & Mary.

A melodia instrumental da música é extremamente simples: apenas um dedilhar de violão e um sopro ocasional de gaita. Na verdade, acho que a maioria das músicas de Dylan é assim: privilegia a letra, e não necessariamente a melodia instrumental; mesmo bonita, esta apenas embala tudo.

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"Quantas estradas precisará um homem andar
Antes que possam chamá-lo de um homem?
Quantos mares precisará uma pomba branca sobrevoar,
Antes que ela possa dormir na areia?
Sim e quantas vezes precisará balas de canhão voar,
Até serem para sempre abandonadas?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Sim e quantos anos pode existir uma montanha
Antes que ela seja lavada pelo mar?
Sim e quantos anos podem algumas pessoas existir,
Até que sejam permitidas a serem livres?
Sim e quantas vezes pode um homem virar sua cabeça,
E fingir que ele simplesmente não vê?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento

Sim e quantas vezes precisará um homem olhar para cima
Antes que ele possa ver o céu?
Sim e quantas orelhas precisará ter um homem,
Antes que ele possa ouvir as pessoas chorar?
Sim e quantas mortes ele causará até ele perceber
Que muitas pessoas morreram?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento
A resposta está soprando no vento"

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Blowin' in the wind é a primeira faixa do CD Freewheelin' (imagem acima) e ganhou uma fama maior ainda quando foi regravada pelo trio Peter, Paul e Mary. O álbum de Dylan está entre os 1001 Discos para se ouvir antes de morrer.

Abaixo, o áudio-vídeo da música. Não é a versão original. Não a coloquei aqui porque ela é extremamente difícil de achar, ao contrário do que eu pensava. No mais, espero que gostem. É a versão de Peter, Paul & Mary.